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Mato Grosso

Por Dentro da Magistratura entrevista a juíza Ana Cristina Silva Mendes

Está no ar a 16ª edição do programa Por Dentro da Magistratura, com a participação da juíza Ana Cristina Silva Mendes, titular da Sétima Vara Criminal da Comarca de Cuiabá. No bate-papo com o diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), desembargador Marcos Machado, Ana Cristina contou sobre a infância humilde e como surgiu o sonho de se tornar juíza.
 
“Meu avô era analfabeto, minha avó também. Eu morava com eles e certa vez eu vi acontecer um fato na nossa casa e eu vi meus avós sendo meio que injustiçados por um estelionatário, que levou inclusive a única coisa de valor que existia, que era uma televisãozinha preto e branco. E esse estelionatário, desde então, eu tinha por volta de oito anos, nove anos, eu me lembro muito da história, que me marcou, e eu disse que eu ia ser juíza para prender bandido”, contou a magistrada.
 
Na entrevista, a juíza Ana Cristina Mendes falou sobre identidade de raça, as dificuldades vivenciadas por ser filha de mãe solteira, a importância da identidade cristã e também sobre o preconceito sofrido em razão da cor de sua pele. “Me lembro de uma experiência muito ruim que eu ouvi de uma pessoa, onde ela disse ‘aquela negrinha sem pai’. Aquilo me marcou bastante, porque eu era pobre, mas em momento algum freou meus estímulos, ou me depreciou ou me desmereceu, fez com que eu desistisse ou me sentisse menor por isso. Muito pelo contrário. Eu sabia que eu tinha que lutar muito mais, já que eu não tinha o que eles chamavam de ‘berço’.”
 
Clique neste link e confira todos os detalhes da entrevista, que aborda ainda a marcante experiência na vara de violência doméstica e o importante trabalho no combate às organizações criminosas no Estado.
 
Currículo – Cuiabana, a magistrada cursou Direito na Universidade de Cuiabá e foi aprovada no Concurso da Magistratura em 1999. Desde então já coordenou a Justiça Comunitária, a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar e presidiu o Fórum Nacional de Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
 
Também auxiliou a Corregedoria-Geral da Justiça, atuou convocada na Primeira Câmara Criminal e Turma de Câmaras Criminais do TJMT e integrou a Comissão Judicial Nacional de Acompanhamento e Aperfeiçoamento da Legislação Penal e Processual Penal, que teve por objetivo discutir, estudar e apresentar situações para projeto de lei anticrime.
 
Atualmente coordena o Comitê Gestor de Proteção de Dados Pessoais e é diretora da Escola Judiciária Eleitoral Desembargador Palmiro Pimenta, do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso. Mestranda em Teoria e Filosofia do Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
 
Programa – O Por Dentro da Magistratura tem como objetivo conhecer experiências e condutas de magistrados a partir de situações pessoais durante a carreira, opiniões, escolhas e relacionamentos pessoais, institucionais e sociais, com o intuito de transmiti-las na forma de orientação ou recomendação a magistrados e magistrados.
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: Fotografia colorida. Na lateral esquerda o ícone de play acompanhado do texto: /tjmtoficial. Na parte superior central o logo do Programa Por Dentro da Magistratura, a foto da juíza Ana Cristina Silva Mendes acompanhados do texto: Juíza Ana Cristina Silva Mendes. Assista agora! 16º Episódio. Assina a peça o logo do Poder Judiciário de Mato Grosso.
 
Lígia Saito
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Mato Grosso

Governo rescinde contratos e multa empresas em R$ 7,2 milhões por falhas na MT-170

Além das multas, empresas poderão ter de devolver aos cofres públicos os valores gastos para recuperar os trechos danificados

O Governo de Mato Grosso decidiu romper os contratos dos dois consórcios responsáveis pela pavimentação dos primeiros 90 quilômetros da MT-170, entre Castanheira e Colniza, após problemas registrados no asfalto pouco tempo depois da conclusão dos serviços.

As empresas também receberam multas que, somadas, ultrapassam R$ 7,2 milhões. Além das penalidades, os consórcios ficarão impedidos de celebrar novos contratos com o Governo do Estado pelo período de dois anos.

As decisões foram assinadas pelo secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira e Silva, na sexta-feira (7), e publicadas no Diário Oficial desta segunda-feira (10).

O Estado também determinou que os consórcios sejam responsabilizados pelos custos necessários para reparar os danos identificados na rodovia. O ressarcimento poderá incluir despesas que ainda serão calculadas conforme os serviços de recuperação.

A maior penalidade foi aplicada ao Consórcio Sanches Tripoloni-Trafecon-MT Sul, responsável por um trecho de 50,7 quilômetros, correspondente ao Lote 1.

Nesse caso, a Sinfra estabeleceu multa moratória de aproximadamente R$ 565,6 mil e outra, de caráter compensatório, no valor de R$ 3,51 milhões. As duas penalidades totalizam cerca de R$ 4,07 milhões.

O consórcio também deverá ressarcir integralmente os prejuízos que tenham relação com os defeitos encontrados na obra.

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No segundo lote, com 39,3 quilômetros, a responsabilidade era do Consórcio Construtor Agrimex. A empresa recebeu multa moratória de R$ 522 mil e multa compensatória de R$ 2,63 milhões, chegando a aproximadamente R$ 3,15 milhões.

Para esse contrato, a secretaria estabeleceu que o ressarcimento deverá considerar, entre outros itens, os gastos com recuperação do pavimento, contratação de outras empresas, correção de passivos ambientais e demais despesas que sejam comprovadamente decorrentes dos problemas encontrados.

A decisão ocorre após o pavimento apresentar sinais de deterioração em um período considerado curto depois da execução. Em alguns pontos, o material chegou a se desfazer, levando o Estado a cobrar providências das empresas responsáveis.

No Lote 1, segundo informações reunidas durante o processo administrativo, a Sinfra notificou as contratadas diversas vezes. Foram quatro notificações registradas em 2023, outras 16 em 2024 e mais seis em 2025.

A situação também foi acompanhada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), que realizou inspeções na rodovia para verificar as condições do pavimento.

Entre os problemas analisados esteve a espessura da camada asfáltica. Estudos anteriores consideravam uma camada de 7,5 centímetros de CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), enquanto a solução executada utilizou cinco centímetros, uma diferença de aproximadamente 33%.

A Sinfra, entretanto, afirma que a alteração não pode ser apontada isoladamente como causa dos defeitos. Segundo a secretaria, a mudança foi autorizada em uma Mesa Técnica realizada em 2022, com participação do próprio Tribunal de Contas.

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Na avaliação do Estado, os problemas encontrados estão associados a falhas nos projetos e na execução dos serviços contratados.

Antes mesmo da rescisão, o Governo já havia informado que buscaria responsabilizar as empresas pelos custos necessários para recuperar a rodovia.

A administração estadual também acionou mecanismos de seguro-garantia relacionados aos contratos, numa tentativa de reduzir o impacto financeiro da recuperação do trecho para os cofres públicos.

Os contratos agora encerrados foram firmados em 2014, quando a estrada ainda fazia parte da antiga BR-174. Na época, os acordos incluíam tanto a elaboração dos projetos básico e executivo quanto a execução das obras de pavimentação.

Posteriormente, o trecho passou para a responsabilidade estadual e recebeu a denominação de MT-170.

A rodovia é considerada estratégica para o deslocamento e o escoamento da produção da região Noroeste de Mato Grosso, especialmente no corredor entre Castanheira e Colniza.

Com a publicação das decisões, os contratos referentes aos primeiros 90 quilômetros do trecho estão oficialmente rescindidos. Além das multas já aplicadas, o Estado ainda poderá cobrar dos consórcios os valores necessários para recuperar os pontos da rodovia afetados pela deterioração do pavimento.

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