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Brasil

Etanol registra queda nos postos e volta a ficar abaixo de R$ 4,40

O preço do etanol começou a registrar queda mais consistente nos postos de combustíveis de Cuiabá. Nesta sexta-feira (8), o litro do biocombustível foi encontrado a R$ 4,37 na capital, valor mais baixo registrado ao longo de 2026 até o momento.

A redução representa uma queda superior a R$ 0,40 em comparação ao pico observado em fevereiro, quando o combustível chegou a ser vendido a R$ 4,79. Apenas nas últimas semanas, o recuo acumulado já ultrapassa R$ 0,25 por litro.

Apesar da queda no etanol, os demais combustíveis seguem com preços mais estáveis em Cuiabá. A gasolina comum continua sendo comercializada na faixa de R$ 6,77, sem grandes variações recentes. Já o diesel S10 gira em torno de R$ 6,97 por litro.

De acordo com a última pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período entre 26 de abril e 2 de maio, o preço médio do etanol na capital era de R$ 4,55. No mesmo levantamento, a gasolina comum aparecia com média de R$ 6,69 e o diesel S10 em R$ 7,23.

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Os valores atuais ainda não constam oficialmente nas estatísticas da ANP, já que o novo levantamento será consolidado nos próximos dias. Mesmo assim, a movimentação nos postos indica que o mercado já trabalha com preços abaixo das médias registradas recentemente.

A tendência de queda no etanol vem sendo observada desde abril, após um período de alta e estabilidade nos combustíveis. O recuo é atribuído, principalmente, ao aumento da oferta nacional com o avanço da safra de cana-de-açúcar 2026/27.

Com maior disponibilidade do produto no mercado interno, usinas e distribuidoras passaram a intensificar as vendas, o que pressionou os preços para baixo. Além disso, parte do setor sucroenergético tem direcionado mais produção para o etanol, diante de um cenário menos favorável para o açúcar no mercado internacional.

Projeções do setor indicam que a produção nacional de etanol, somando cana e milho, pode ultrapassar 43 bilhões de litros nesta safra, reforçando a expectativa de manutenção da oferta elevada nos próximos meses.

Mesmo com a queda recente, especialistas avaliam que ainda pode haver novos recuos no preço do combustível, dependendo do ritmo de produção e das condições climáticas para a colheita.

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Outro ponto que influencia o mercado é a competitividade do etanol em relação à gasolina. Em Cuiabá, o biocombustível segue dentro da faixa considerada vantajosa para veículos flex, mantendo-se como alternativa econômica para parte dos consumidores.

Enquanto isso, a gasolina continua com pouca variação, impactada principalmente pelas oscilações do petróleo no mercado internacional e pela política de preços das refinarias. Já o diesel apresenta estabilidade após reajustes registrados no início do ano, com leve acomodação nos valores recentes.

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Brasil

INSS anuncia fim da fila, mas Previdência exige mais de R$ 1 trilhão por ano para pagar benefícios

Governo afirma ter eliminado estoque de novos requerimentos após queda registrada desde fevereiro; avanço administrativo ocorre em um sistema que deverá gastar cerca de R$ 1,1 trilhão com benefícios em 2026 e apresenta déficit superior a R$ 300 bilhões

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (3) que conseguiu eliminar a chamada fila de atendimentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), após meses de redução no estoque de pedidos acumulados.

O anúncio foi feito pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, no Palácio do Planalto, durante evento com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o Ministério da Previdência, o número de requerimentos acumulados caiu gradualmente ao longo de 2026. Em fevereiro, aproximadamente 3,12 milhões de pessoas aguardavam análise, enquanto outros 1,17 milhão de novos pedidos foram apresentados apenas naquele mês.

Em julho, o estoque havia recuado para aproximadamente 1,547 milhão de requerimentos.

Já em agosto, segundo o governo, a capacidade de processamento passou a superar o estoque acumulado, levando o ministério a considerar tecnicamente encerrada a situação de fila e passando a tratar os requerimentos como fluxo normal de atendimento.

INSS recebe cerca de 43 mil pedidos por dia

O tamanho da estrutura ajuda a explicar o desafio.

Atualmente, o INSS recebe aproximadamente 1,3 milhão de novos requerimentos por mês, equivalente a cerca de 43 mil solicitações por dia.

São pedidos de aposentadorias, pensões, auxílio por incapacidade temporária, salário-maternidade, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e diversos outros benefícios administrados pelo instituto.

Segundo Wolney Queiroz, a redução do estoque foi obtida por uma combinação de medidas administrativas.

Entre elas estão a contratação de novos servidores por concurso público, ampliação da telemedicina, realização de mutirões e adoção da perícia médica documental.

O governo afirma que 865 agências passaram a operar com recursos de telemedicina.

Também foram adotados programas de produtividade com pagamento de bônus aos servidores que executam tarefas além das metas regulares.

De acordo com o ministro, esse modelo teria proporcionado aproximadamente 2 milhões de atendimentos adicionais somente em 2026.

Fila acabou, mas 224 mil ainda esperam além de 45 dias

A declaração de que a fila foi zerada exige uma ressalva importante.

O próprio Ministério da Previdência reconhece que ainda existem aproximadamente 224 mil pessoas esperando há mais de 45 dias por uma decisão.

O prazo de referência legal informado pelo governo é de 45 dias.

Segundo o ministério, atualmente o tempo médio geral de análise está em aproximadamente 34 dias.

Os casos que ultrapassam os 45 dias envolveriam principalmente situações consideradas mais complexas, incluindo alguns pedidos de BPC e aposentadoria.

Portanto, a expressão “fila zerada” utilizada pelo governo não significa que todos os pedidos existentes no país foram concluídos.

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Significa que, segundo a metodologia adotada pela Previdência, a capacidade atual de processamento conseguiu absorver o fluxo de novos requerimentos sem continuar ampliando o estoque acumulado.

O desafio financeiro é muito maior do que o administrativo

A redução do tempo de análise representa um avanço operacional importante para quem depende da concessão de aposentadorias, pensões e auxílios.

Mas existe outra dimensão do INSS que merece atenção: o enorme volume de recursos públicos necessário para manter o sistema previdenciário brasileiro funcionando.

Para 2026, a projeção oficial aponta para aproximadamente R$ 1,128 trilhão em despesas totais com benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

Desse montante, cerca de:

  • R$ 1,068 trilhão corresponde aos benefícios previdenciários normais;
  • R$ 53,9 bilhões são destinados a decisões judiciais;
  • aproximadamente R$ 6,7 bilhões correspondem à compensação financeira entre o RGPS e regimes próprios de Previdência.

Isso significa uma despesa média próxima de R$ 94 bilhões por mês.

Em termos aproximados, são mais de R$ 3 bilhões por dia movimentados para cumprir as obrigações previdenciárias do sistema.

Arrecadação não cobre todo o gasto

Outro ponto relevante é que as contribuições previdenciárias arrecadadas não são suficientes para cobrir integralmente todas essas despesas.

A previsão oficial para 2026 indica arrecadação líquida próxima de R$ 793,2 bilhões para o Regime Geral.

Diante de uma despesa projetada de R$ 1,128 trilhão, a diferença estimada é de aproximadamente:

R$ 335,4 bilhões.

Esse é o déficit projetado para o Regime Geral de Previdência Social em 2026.

Segundo os documentos orçamentários do governo, o valor corresponde aproximadamente a 2,43% do Produto Interno Bruto brasileiro.

Esse déficit precisa ser coberto pelo conjunto das receitas do governo federal.

Ou seja, além das contribuições realizadas por trabalhadores e empregadores, recursos provenientes de outras receitas públicas são necessários para garantir o pagamento integral dos benefícios.

Previdência é uma das maiores despesas da União

Os números ajudam a demonstrar a dimensão econômica do INSS.

Em 2025, por exemplo, a execução orçamentária somente dos benefícios previdenciários chegou a aproximadamente R$ 907,9 bilhões.

Desse total, cerca de R$ 499,2 bilhões foram destinados às aposentadorias urbanas do Regime Geral, correspondendo a mais da metade da despesa previdenciária daquele exercício.

Para 2026, a despesa já supera a marca de R$ 1 trilhão.

Por isso, qualquer alteração no número de benefícios concedidos, no valor do salário mínimo, na inflação ou nas regras previdenciárias produz efeitos de bilhões de reais sobre o Orçamento da União.

Mais rapidez também significa impacto mais rápido no orçamento

Existe ainda uma relação direta entre eficiência administrativa e execução financeira.

Quando o INSS analisa mais rapidamente um benefício que efetivamente é devido, o cidadão passa a receber mais cedo.

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Isso é positivo do ponto de vista social e administrativo.

Ao mesmo tempo, a maior velocidade de concessão também antecipa a entrada dessas despesas na folha previdenciária.

Isso não significa que reduzir a fila “aumente artificialmente” o gasto.

O benefício já era um direito do segurado caso os requisitos estivessem preenchidos.

A diferença é que um sistema mais eficiente reconhece e começa a pagar essa obrigação em menor prazo.

Demografia pressiona sistema no longo prazo

O desafio previdenciário não termina em 2026.

O próprio Ministério da Previdência realiza projeções financeiras e atuariais do Regime Geral até 2100, incorporando fatores como envelhecimento da população, evolução do mercado de trabalho, número de contribuintes e quantidade de novos benefícios concedidos.

O envelhecimento populacional é um dos elementos centrais dessa discussão.

À medida que aumenta a proporção de idosos em relação à população economicamente ativa, cresce o número de pessoas recebendo aposentadorias enquanto diminui proporcionalmente a base de trabalhadores que financia o sistema por meio das contribuições.

Esse fenômeno não é exclusivo do Brasil e representa um dos principais desafios fiscais enfrentados por sistemas previdenciários em diversos países.

Governo também tenta reduzir gastos indevidos

A sustentabilidade financeira passa ainda pela revisão de benefícios e pelo combate a pagamentos irregulares.

O governo vem adotando programas de revisão de despesas previdenciárias, assistenciais e trabalhistas administradas pelo INSS.

Essas ações buscam evitar fraudes, pagamentos duplicados ou manutenção de benefícios quando os requisitos legais deixaram de existir.

O acompanhamento dessas despesas também interfere diretamente nas projeções fiscais do governo.

Em julho, por exemplo, a revisão das projeções reduziu em aproximadamente R$ 3,2 bilhões a estimativa de gastos com benefícios previdenciários em 2026 e em outros R$ 3,2 bilhões a previsão para BPC e Loas.

Avanço administrativo não elimina desafio fiscal

O anúncio do fim da fila representa uma melhora importante no atendimento, principalmente para pessoas que muitas vezes dependem da aposentadoria, pensão ou auxílio para garantir renda básica.

Ao mesmo tempo, os números mostram que o debate sobre Previdência vai muito além da velocidade das perícias e da análise dos processos.

O Brasil precisa administrar simultaneamente dois grandes desafios.

O primeiro é prestar um serviço eficiente, evitando que cidadãos esperem meses ou anos para ter um benefício analisado.

O segundo é garantir recursos suficientes para financiar um sistema que movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano.

Em 2026, a diferença projetada entre arrecadação e despesas do Regime Geral supera R$ 335 bilhões.

Isso mostra a dimensão do problema.

Zerar a fila administrativa é uma conquista de gestão. Manter o sistema previdenciário financeiramente sustentável, porém, continua sendo um dos maiores desafios econômicos e fiscais do Brasil.

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