Cidades
Câmara aprova empréstimo de R$ 111 milhões com juros reduzidos e impulsiona pacote de obras em Cuiabá

A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou nesta terça-feira (28), em regime de urgência e por ampla maioria, o projeto de lei que autoriza o prefeito Abilio Brunini a contratar um financiamento de R$ 111,6 milhões destinado à execução de obras de infraestrutura urbana na capital. A votação terminou com 22 votos favoráveis e dois contrários, evidenciando o respaldo do Legislativo cuiabano à proposta considerada estratégica pela administração municipal.
O empréstimo será contratado junto ao Banco Santander, com prazo de dez anos para quitação e carência de 12 meses. O principal destaque da operação está nas condições financeiras negociadas: a taxa pactuada é de CDI acrescido de 0,86% ao ano, considerada significativamente mais vantajosa em relação a operações anteriores do município. Para efeito de comparação, em 2019 Cuiabá contratou crédito com spread de 5,4% ao ano, enquanto em 2024 o Executivo encaminhou ao Legislativo uma proposta com taxa de 7%, que não chegou a ser efetivada. Na comparação com 2019, a taxa atual é cerca de seis vezes menor; em relação à proposta de 2024, chega a ser até oito vezes mais baixa, o que representa uma economia estimada entre R$ 37 milhões e R$ 49 milhões em juros ao longo de todo o período contratual, conforme cálculos da Secretaria Municipal de Economia.
De acordo com a Prefeitura, os recursos serão aplicados no asfaltamento de 19 bairros, além de intervenções em mobilidade urbana, drenagem, saneamento básico, habitação e requalificação viária. A iniciativa integra um planejamento estratégico voltado à ampliação da cobertura asfáltica, recuperação de vias já existentes e enfrentamento de déficits históricos de infraestrutura urbana que ainda impactam diversas regiões da cidade.
Durante a apresentação do projeto na Câmara, o secretário municipal de Economia, Marcelo Bussiki, ressaltou a competitividade da proposta e atribuiu o resultado ao processo de reequilíbrio fiscal promovido pela atual gestão. Ele também destacou o papel do Legislativo cuiabano na construção do entendimento que viabilizou a operação. “A Câmara teve uma postura responsável e comprometida com o futuro da cidade. Esse diálogo transparente foi essencial para viabilizar uma operação com condições muito mais vantajosas para Cuiabá”, afirmou.
O prefeito Abilio Brunini defendeu a contratação do financiamento como uma medida necessária para acelerar obras estruturantes e ampliar a capacidade de investimento do município sem comprometer o equilíbrio das contas públicas. Segundo ele, as condições obtidas refletem credibilidade fiscal e permitem transformar planejamento em execução, especialmente em bairros que aguardam há anos por infraestrutura básica.
A presidência da Câmara também destacou que a aprovação em regime de urgência demonstra o entendimento dos vereadores sobre a prioridade dos investimentos para a população, sobretudo em áreas que enfrentam problemas históricos de pavimentação e drenagem. A avaliação é de que o Parlamento atuou com responsabilidade ao autorizar uma operação que combina menor custo financeiro com impacto direto na qualidade de vida da população.
A administração municipal reforça ainda que, paralelamente ao financiamento, seguem em andamento ações emergenciais de manutenção viária, como operações de tapa-buraco, intensificadas durante o período de estiagem. Com a autorização legislativa já concedida, a expectativa é de que o projeto seja sancionado nos próximos dias, abrindo caminho para a formalização do contrato e o início das obras ainda em 2026.
Ao integrar o financiamento ao planejamento estratégico da cidade, a Prefeitura sustenta que o modelo adotado equilibra responsabilidade fiscal com capacidade de investimento público, permitindo acelerar intervenções consideradas prioritárias e reduzir gargalos históricos de infraestrutura em Cuiabá.
Cidades
Nova Mutum se consolida como destaque econômico de Mato Grosso com expansão de R$ 817 milhões da Inpasa

Município propõe R$ 6,28 milhões em incentivos fiscais para terceira fase da indústria de etanol de milho, em investimento que deve ampliar empregos, arrecadação e atividade industrial
NOVA MUTUM (MT) — O avanço da industrialização e a capacidade de atrair grandes investimentos vêm consolidando Nova Mutum como um dos principais polos de desenvolvimento econômico de Mato Grosso. Mais um exemplo desse movimento está na proposta encaminhada pelo prefeito Leandro Félix (União) à Câmara Municipal, que prevê a concessão de aproximadamente R$ 6,28 milhões em incentivos fiscais para a expansão da unidade da Inpasa instalada no município.
A proposta foi encaminhada às comissões durante a sessão desta segunda-feira, 10, e está relacionada à implantação da terceira fase do empreendimento, que deverá receber aproximadamente R$ 817,6 milhões em investimentos entre 2026 e 2027.
O projeto reforça uma estratégia que vem ganhando força em Nova Mutum: utilizar políticas de incentivo como instrumento para atrair e ampliar investimentos privados, fortalecer a indústria, gerar empregos e aumentar, no médio e longo prazo, a arrecadação municipal.
Incentivos ultrapassam R$ 6,2 milhões
O principal benefício previsto no projeto é a redução do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) incidente sobre os serviços de construção da nova etapa da indústria.
O incentivo está estimado em R$ 6,03 milhões e deverá ser concedido nos exercícios de 2026 e 2027, condicionado ao cumprimento do cronograma físico-financeiro da obra.
A proposta também estabelece a isenção da Taxa de Licença para Execução de Obras, referente ao alvará de construção, calculada em aproximadamente R$ 134,4 mil, além da Taxa de Licença para o Habite-se, estimada em R$ 117,7 mil.
Somados, os três benefícios representam cerca de R$ 6,28 milhões em incentivos fiscais.
Em contrapartida, a empresa deverá realizar o investimento de aproximadamente R$ 817,6 milhões na ampliação da unidade, além de assumir compromissos relacionados à geração de empregos e ao fortalecimento da atividade econômica local.
Investimento deve gerar empregos e movimentar a economia
Entre as contrapartidas previstas está a geração de novos postos de trabalho diretos e indiretos durante a execução das obras, além da oferta de novas oportunidades de emprego diretamente após a conclusão da expansão.
O impacto, porém, não se limita ao mercado de trabalho.
A expansão também deverá contribuir para o aumento da movimentação econômica de Nova Mutum, envolvendo empresas prestadoras de serviços, fornecedores, transportadoras, comércio e outros segmentos que participam da cadeia produtiva ligada à indústria de etanol de milho.
Outro ponto previsto no projeto é o incremento do Valor Adicionado (VA) utilizado no cálculo do Índice de Participação do Município na distribuição da arrecadação do ICMS.
Para isso, a empresa deverá registrar no município as operações relacionadas aos produtos manufaturados, serviços e mercadorias comercializados a partir das instalações locais.
Na prática, o objetivo é fazer com que o crescimento da atividade industrial também se traduza em maior participação de Nova Mutum na distribuição futura das receitas tributárias.
Incentivo como estratégia de desenvolvimento
Na justificativa encaminhada à Câmara Municipal, o prefeito Leandro Félix defende que o incentivo fiscal deve ser compreendido como uma ferramenta de desenvolvimento econômico, e não apenas como uma renúncia de receita no curto prazo.
Segundo a mensagem, a medida representa uma forma de investimento público destinada a estimular o desenvolvimento econômico, com expectativa de que os resultados futuros superem os efeitos imediatos da renúncia tributária.
A administração municipal destaca entre os resultados esperados o aumento da arrecadação futura, o fortalecimento da economia local, a geração de empregos e a ampliação da competitividade industrial.
Nova Mutum ganha força como polo industrial
A nova expansão da Inpasa se insere em um cenário mais amplo de transformação econômica de Nova Mutum.
Tradicionalmente reconhecido pela força do agronegócio, o município vem avançando na industrialização da produção agrícola, agregando valor à matéria-prima produzida na região e ampliando sua participação em cadeias produtivas de maior complexidade.
A instalação e expansão de indústrias ligadas ao processamento de milho representam justamente essa mudança de perfil: além de produzir commodities, Nova Mutum amplia sua capacidade de transformar a produção dentro do próprio território, gerando atividade econômica, empregos, serviços e novas oportunidades para empresas locais.
O movimento também reforça a posição estratégica do município dentro da economia mato-grossense.
Com investimentos privados de grande porte, expansão da infraestrutura e políticas públicas voltadas à atração e permanência de empresas, Nova Mutum passa a se destacar não apenas pela produção agropecuária, mas também pela capacidade de industrializar, agregar valor e gerar riqueza a partir de sua própria vocação produtiva.
R$ 817 milhões para uma nova etapa
A terceira fase da Inpasa representa, nesse contexto, mais do que uma nova obra industrial. O investimento de aproximadamente R$ 817,6 milhões sinaliza a confiança do setor produtivo no potencial de Nova Mutum e na capacidade do município de sustentar novos ciclos de crescimento.
Para o município, a aposta é que o incentivo concedido agora produza efeitos econômicos por muitos anos, com aumento da atividade industrial, geração de empregos, fortalecimento da cadeia de fornecedores e ampliação da participação de Nova Mutum na arrecadação estadual.
O projeto ainda será analisado pelas comissões da Câmara Municipal antes de seguir para votação em plenário.
Se aprovado, o incentivo abrirá caminho para mais uma grande etapa de expansão industrial em Nova Mutum — município que vem transformando sua vocação agrícola em uma plataforma cada vez mais diversificada de produção, industrialização, emprego e desenvolvimento econômico, reforçando sua posição entre os principais destaques de Mato Grosso.
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