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Cidades

“Não podemos assistir a quebra de um setor inteiro”, diz Geller em defesa dos pecuaristas

Foto: Luis Macedo

A retaliação da China à carne bovina brasileira tem colocado a bancada ruralista em estado de alerta uma vez que, pecuaristas brasileiros viram a arroba do boi despencar nos últimos dias, ficando bem abaixo do próprio custo de produção. Para o vice-presidente da FPA, e ex-ministro da Agricultura, deputado Neri Geller (PP/MT), os reflexos negativos vão além dos prejuízos econômicos, mas também, diplomáticos.

“Estamos acompanhando com preocupação essa pauta uma vez que, os estragos vão além dos US$ 10,4 milhões perdidos diariamente pelos pecuaristas brasileiros. Estamos diante de uma crise diplomática, onde nosso principal comprador fechou as portas de forma unilateral”, disse Geller.

O parlamentar lembra ainda que as relações comerciais com os asiáticos são as maiores, já que, 60% das exportações são para a China. “A FPA tem se reunido com a ministra Tereza Cristina e estamos atentos à movimentação do Brasil na retomada desse mercado. Mas, ainda assim, medidas mais incisivas precisam ser tomadas. O gado est

Foto: Luis Macedo

á no pasto, longe dos frigoríficos e consequentemente, dos supermercados. Estamos assistindo um setor correr o risco de quebrar”, defendeu.

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De acordo com Geller, a pandemia já refletiu na alta dos custos da produção e o embargo à carne afeta, inclusive, o mercado interno. “Este ano, há um custo elevadíssimo de ração que gera sucessivos prejuízos para os produtores. Isso interrompe o ciclo de abate e gera desequilíbrio de ofertas no mercado interno. É muito impactante ter um cliente tão grande como a China, interrompendo as importações por tanto tempo”, disse.

MERCADO INTERNACIONAL

O federal Neri Geller já foi ministro de Agricultura, assim como o ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, e ambos trabalharam pelo fim do embargo chinês à carne bovina brasileira, à época, vigente desde 2012. Ainda frente ao mercado internacional e as relações comerciais favoráveis ao Brasil, em 2018 (durante a 10ª Cúpula do Brics – grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), foi trabalhado o fim do embargo russo à carne suína e bovina do Brasil. Na época, as restrições foram anunciadas sob argumento de terem sido encontradas substâncias como ‘estimulantes’ nos produtos brasileiros exportados para a Rússia e o embargo durou seis meses.

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“Temos certeza do empenho da ministra Tereza Cristina, assim como de todo corpo técnico do Mapa, mas, os chineses são manhosos e sabem ‘vender’ bem suas posições. O trabalho e as negociações precisam se intensificar”, disse Blairo Maggi.

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Cidades

Nova Mutum se consolida como destaque econômico de Mato Grosso com expansão de R$ 817 milhões da Inpasa

Município propõe R$ 6,28 milhões em incentivos fiscais para terceira fase da indústria de etanol de milho, em investimento que deve ampliar empregos, arrecadação e atividade industrial

NOVA MUTUM (MT) — O avanço da industrialização e a capacidade de atrair grandes investimentos vêm consolidando Nova Mutum como um dos principais polos de desenvolvimento econômico de Mato Grosso. Mais um exemplo desse movimento está na proposta encaminhada pelo prefeito Leandro Félix (União) à Câmara Municipal, que prevê a concessão de aproximadamente R$ 6,28 milhões em incentivos fiscais para a expansão da unidade da Inpasa instalada no município.

A proposta foi encaminhada às comissões durante a sessão desta segunda-feira, 10, e está relacionada à implantação da terceira fase do empreendimento, que deverá receber aproximadamente R$ 817,6 milhões em investimentos entre 2026 e 2027.

O projeto reforça uma estratégia que vem ganhando força em Nova Mutum: utilizar políticas de incentivo como instrumento para atrair e ampliar investimentos privados, fortalecer a indústria, gerar empregos e aumentar, no médio e longo prazo, a arrecadação municipal.

Incentivos ultrapassam R$ 6,2 milhões

O principal benefício previsto no projeto é a redução do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) incidente sobre os serviços de construção da nova etapa da indústria.

O incentivo está estimado em R$ 6,03 milhões e deverá ser concedido nos exercícios de 2026 e 2027, condicionado ao cumprimento do cronograma físico-financeiro da obra.

A proposta também estabelece a isenção da Taxa de Licença para Execução de Obras, referente ao alvará de construção, calculada em aproximadamente R$ 134,4 mil, além da Taxa de Licença para o Habite-se, estimada em R$ 117,7 mil.

Somados, os três benefícios representam cerca de R$ 6,28 milhões em incentivos fiscais.

Em contrapartida, a empresa deverá realizar o investimento de aproximadamente R$ 817,6 milhões na ampliação da unidade, além de assumir compromissos relacionados à geração de empregos e ao fortalecimento da atividade econômica local.

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Investimento deve gerar empregos e movimentar a economia

Entre as contrapartidas previstas está a geração de novos postos de trabalho diretos e indiretos durante a execução das obras, além da oferta de novas oportunidades de emprego diretamente após a conclusão da expansão.

O impacto, porém, não se limita ao mercado de trabalho.

A expansão também deverá contribuir para o aumento da movimentação econômica de Nova Mutum, envolvendo empresas prestadoras de serviços, fornecedores, transportadoras, comércio e outros segmentos que participam da cadeia produtiva ligada à indústria de etanol de milho.

Outro ponto previsto no projeto é o incremento do Valor Adicionado (VA) utilizado no cálculo do Índice de Participação do Município na distribuição da arrecadação do ICMS.

Para isso, a empresa deverá registrar no município as operações relacionadas aos produtos manufaturados, serviços e mercadorias comercializados a partir das instalações locais.

Na prática, o objetivo é fazer com que o crescimento da atividade industrial também se traduza em maior participação de Nova Mutum na distribuição futura das receitas tributárias.

Incentivo como estratégia de desenvolvimento

Na justificativa encaminhada à Câmara Municipal, o prefeito Leandro Félix defende que o incentivo fiscal deve ser compreendido como uma ferramenta de desenvolvimento econômico, e não apenas como uma renúncia de receita no curto prazo.

Segundo a mensagem, a medida representa uma forma de investimento público destinada a estimular o desenvolvimento econômico, com expectativa de que os resultados futuros superem os efeitos imediatos da renúncia tributária.

A administração municipal destaca entre os resultados esperados o aumento da arrecadação futura, o fortalecimento da economia local, a geração de empregos e a ampliação da competitividade industrial.

Nova Mutum ganha força como polo industrial

A nova expansão da Inpasa se insere em um cenário mais amplo de transformação econômica de Nova Mutum.

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Tradicionalmente reconhecido pela força do agronegócio, o município vem avançando na industrialização da produção agrícola, agregando valor à matéria-prima produzida na região e ampliando sua participação em cadeias produtivas de maior complexidade.

A instalação e expansão de indústrias ligadas ao processamento de milho representam justamente essa mudança de perfil: além de produzir commodities, Nova Mutum amplia sua capacidade de transformar a produção dentro do próprio território, gerando atividade econômica, empregos, serviços e novas oportunidades para empresas locais.

O movimento também reforça a posição estratégica do município dentro da economia mato-grossense.

Com investimentos privados de grande porte, expansão da infraestrutura e políticas públicas voltadas à atração e permanência de empresas, Nova Mutum passa a se destacar não apenas pela produção agropecuária, mas também pela capacidade de industrializar, agregar valor e gerar riqueza a partir de sua própria vocação produtiva.

R$ 817 milhões para uma nova etapa

A terceira fase da Inpasa representa, nesse contexto, mais do que uma nova obra industrial. O investimento de aproximadamente R$ 817,6 milhões sinaliza a confiança do setor produtivo no potencial de Nova Mutum e na capacidade do município de sustentar novos ciclos de crescimento.

Para o município, a aposta é que o incentivo concedido agora produza efeitos econômicos por muitos anos, com aumento da atividade industrial, geração de empregos, fortalecimento da cadeia de fornecedores e ampliação da participação de Nova Mutum na arrecadação estadual.

O projeto ainda será analisado pelas comissões da Câmara Municipal antes de seguir para votação em plenário.

Se aprovado, o incentivo abrirá caminho para mais uma grande etapa de expansão industrial em Nova Mutum — município que vem transformando sua vocação agrícola em uma plataforma cada vez mais diversificada de produção, industrialização, emprego e desenvolvimento econômico, reforçando sua posição entre os principais destaques de Mato Grosso.

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