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Agro Notícias

Polícia prende ‘barões da soja’ suspeito de desviar R$ 1 milhão em grãos de armazém em MT

A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu dois produtores rurais suspeitos de desviar R$ 1 milhão em cargas de soja de um armazém de cereais no distrito de Nova Fronteira, em Tabaporã (a 643 km de Cuiabá). A ação faz parte da Operação Grão de Ouro, deflagrada na quarta-feira (22), e cumpriu dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão domiciliar.

As investigações conduzidas pela Delegacia de Tabaporã apontam que os suspeitos, conhecidos na região por suas grandes propriedades rurais, ocupavam cargos de chefia em empresas agrícolas e usavam a posição de confiança para desviar parte das cargas armazenadas. O golpe causou prejuízo milionário ao armazém e às empresas proprietárias da soja.

Segundo o delegado Robson Santiago, os produtores agiam de forma organizada, utilizando o acesso privilegiado aos estoques para manipular o controle de saída de grãos e simular transporte regular das cargas.

“Eles se aproveitaram da estrutura empresarial para desviar o produto e ocultar o destino das cargas. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 1 milhão, mas o valor pode aumentar conforme o avanço das apurações”, afirmou o delegado.

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Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam celulares, computadores e documentos contábeis, que serão analisados para identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

Operação Grão de Ouro

A ação foi batizada de Operação Grão de Ouro em alusão ao valor de mercado da soja e ao peso econômico do grão para Mato Grosso, maior produtor do país. A investigação teve início após denúncias de inconsistências nas cargas e registros de transporte, que levantaram suspeitas de manipulação nos controles internos do armazém.

A Polícia Civil informou que os dois presos serão interrogados e poderão responder por peculato, associação criminosa e furto qualificado. As diligências continuam para rastrear o destino dos grãos desviados e o envolvimento de possíveis receptadores.

Mato Grosso é responsável por quase 30% da produção nacional de soja, o que torna o estado alvo recorrente de crimes ligados ao agronegócio, como furtos de grãos, fraudes em notas fiscais e desvio de cargas — práticas que geram prejuízos milionários a produtores e cooperativas todos os anos.

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Agro Notícias

União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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