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Passaporte Verde: Programa pioneiro de monitoramento bovino de MT é reconhecido por Chineses

Representantes de indústrias frigoríficas e empresas importadoras da China conheceram, nos dias 10 e 11 de novembro, o Passaporte Verde, programa pioneiro criado em Mato Grosso que realiza o monitoramento socioambiental de todo o rebanho bovino e bubalino do estado. A iniciativa reforça o compromisso da pecuária mato-grossense com a sustentabilidade e atende às exigências dos mercados internacionais mais rigorosos.

O programa foi apresentado pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) durante o Beef Trade Cooperation and Development Conference 2025, realizado em Yangxin, na província chinesa de Shandong. O evento reuniu autoridades, empresários e lideranças do setor de carnes dos dois países, ampliando o diálogo entre Brasil e China — maior compradora da carne mato-grossense.

De acordo com Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Imac, o objetivo da apresentação foi mostrar ao público internacional os avanços do estado em rastreabilidade e sustentabilidade.

“O Passaporte Verde busca fortalecer a reputação positiva da cadeia da carne bovina de Mato Grosso nos mercados consumidores, mostrando que nossa produção segue rigorosamente as normas ambientais. Além disso, o programa oferece oportunidade para que produtores com pendências socioambientais possam se regularizar e voltar ao mercado formal”, explica Bruno.

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Durante o evento, a comitiva do Imac participou de reuniões de negócios com importadores e produtores chineses, onde foi possível conhecer a realidade do mercado local e suas necessidades. Também foi realizado uma reunião com o vice-presidente China Meat Association (CMA), onde discutiu-se o plano de trabalho para o memorando de entendimento assinado entre as partes em setembro de 2025.

O plano de trabalho contemplará atividades como: troca de informações técnicas, missões comerciais e eventos para sensibilização de exportadores e importadores sobre as boas práticas de sustentabilidade e respeito às legislações brasileira e chinesa.

“Por meio dessa cooperação, realizaremos visitas técnicas e seminários voltados a sensibilizar os importadores chineses sobre a sustentabilidade da produção mato-grossense. Em 2026, teremos uma série de eventos conjuntos, com o objetivo de ampliar ainda mais esse mercado que já nos recebe tão bem”, destacou o diretor do Imac.

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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