Agro Notícias
Mato Grosso registra maior esmagamento de soja da história para janeiro

O estado de Mato Grosso iniciou 2026 com desempenho histórico na indústria de processamento de soja. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), em janeiro foram esmagadas 968,43 mil toneladas da oleaginosa, o maior volume já registrado para o mês na série histórica da instituição. O resultado representa alta de 15,17% em comparação com janeiro de 2025.
Segundo o levantamento, o avanço foi impulsionado pelo aumento de 13,95% na capacidade de esmagamento das indústrias instaladas no estado, aliado à elevada disponibilidade de soja em Mato Grosso. Esses fatores favoreceram o ritmo acelerado de processamento no início do ano.
Outro ponto que contribuiu para o crescimento foi a elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 15% (B15), medida estabelecida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e em vigor desde agosto de 2025. A mudança ampliou a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima utilizada na produção de biodiesel no Brasil, fortalecendo o consumo industrial da commodity.
A margem bruta de esmagamento das indústrias em janeiro de 2026 fechou na média de R$ 658,52 por tonelada, crescimento de 32,01% frente a dezembro de 2025. Conforme o IMEA, o resultado reflete, principalmente, a queda no preço do grão em Mato Grosso, o que favoreceu a rentabilidade do processamento.
No mercado internacional, a expectativa de uma demanda chinesa ainda mais aquecida pela soja dos Estados Unidos impulsionou as cotações na Bolsa de Chicago. Os preços apresentaram alta de 3,34% na comparação com a semana anterior, sinalizando movimento positivo no cenário externo.
Em Mato Grosso, o preço da soja também registrou valorização. A oleaginosa encerrou a semana com média de R$ 101,28 por saca, avanço de 1,15% frente ao período anterior, acompanhando o comportamento do mercado internacional.
Já no câmbio, a moeda norte-americana apresentou desvalorização de 0,89% na semana, refletindo questões no cenário externo e sinais de cautela no mercado doméstico. A variação do dólar segue sendo um dos principais fatores de influência sobre os preços recebidos pelo produtor brasileiro.
No cenário global, o relatório mensal do United States Department of Agriculture (USDA) revisou para cima a produção mundial de soja da safra 2025/26, estimada agora em 428,18 milhões de toneladas, alta de 0,59% em relação ao relatório anterior. O Brasil teve projeção elevada para 180,00 milhões de toneladas (+1,12%), enquanto o Paraguai foi estimado em 11,50 milhões de toneladas (+4,55%). Com isso, a participação brasileira na oferta mundial subiu para 42,04% em fevereiro de 2026. O estoque final global foi estimado em 125,51 milhões de toneladas, avanço de 0,89%, mantendo o mercado atento à evolução do consumo e ao comportamento dos preços internacionais.
Agro Notícias
Possibilidade de “Super El Niño” acende alerta no campo e exige planejamento antecipado para safra 2026/27

A possibilidade da formação de um “Super El Niño” neste ano já acende o sinal de alerta no setor produtivo, especialmente para a agricultura em Mato Grosso. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar mudanças significativas no regime de chuvas, elevar as temperaturas e influenciar diretamente o desenvolvimento das lavouras no estado.
Com base em dados e projeções apresentados no relatório do consultor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Clyde Fraisse, o cenário climático exige atenção redobrada por parte dos produtores rurais, uma vez que pode afetar desde o planejamento do plantio da safra 2026/27 até a definição das estratégias de manejo ao longo do ciclo produtivo.
Na avaliação do consultor, embora ainda existam incertezas quanto à intensidade do fenômeno, o cenário indica probabilidade de alterações climáticas no Centro-Oeste, exigindo planejamento antecipado e estratégias voltadas à redução dos riscos na próxima safra.
“Os impactos do El Niño sobre a safra 2026/27 dependerão não apenas da intensidade do aquecimento do Oceano Pacífico, mas também da interação com outros sistemas climáticos, especialmente o Atlântico Tropical e os padrões atmosféricos sobre a América do Sul. Entretanto, o consenso entre os principais centros meteorológicos internacionais indica que o fenômeno aumenta significativamente a probabilidade de atrasos no início da estação chuvosa no Brasil Central. Para os produtores de Mato Grosso, isso reforça a necessidade de uma estratégia preventiva baseada na redução de riscos”, afirmou o consultor.
Diante desse cenário, Clyde Fraisse destaca que o monitoramento constante das previsões climáticas e a adoção de práticas de manejo são fundamentais para reduzir os impactos de possíveis atrasos das chuvas e garantir maior estabilidade ao sistema produtivo.
“O monitorar continuamente as previsões climáticas de médio e longo prazo; evitar a semeadura após precipitações isoladas, aguardando a consolidação da estação chuvosa; manter elevada cobertura do solo por meio do Sistema Plantio Direto e de plantas de cobertura; realizar escalonamento da semeadura para reduzir a exposição ao risco climático; utilizar cultivares adaptadas às diferentes janelas de plantio e revisar o planejamento da segunda safra considerando possíveis atrasos da soja; intensificar o monitoramento fitossanitário, uma vez que mudanças no regime de temperatura e umidade podem alterar a dinâmica de doenças e pragas”, aconselhou Clyde Fraisse.
O consultor ressalta ainda que eventos climáticos dessa magnitude podem provocar reflexos em diferentes etapas da produção, afetando desde a implantação das lavouras até a logística e a comercialização dos grãos. Por isso, o uso de informações técnicas e de estudos climáticos torna-se uma ferramenta importante para orientar decisões dentro da propriedade.
“Para Mato Grosso, esses fatores representam risco elevado principalmente durante a emergência da soja, fase em que a disponibilidade hídrica é determinante para a formação do estande de plantas. A resposta climática depende da interação entre diversos modos de variabilidade climática. A climatologia baseada em eventos históricos constitui uma das ferramentas mais robustas para estimar riscos agrícolas. Estudos conduzidos pela Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, Instituto Nacional de Meteorologia e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária demonstram que existe elevada recorrência de determinados padrões regionais. Esses padrões permitem orientar decisões relacionadas ao calendário de plantio, escolha de cultivares, manejo da cobertura do solo, escalonamento da semeadura e estratégias de mitigação do risco climático”, disse.
Diante desse cenário, produtores rurais já começam a avaliar possíveis ajustes no planejamento da próxima safra. A antecipação dessas decisões pode ser determinante para minimizar perdas e garantir maior segurança produtiva. Para o vice-presidente Leste da Aprosoja MT, Diego Dall Asta, acompanhar de perto as projeções meteorológicas é indispensável para que o produtor tome decisões mais assertivas diante de um cenário de maior incerteza climática e custos elevados de produção.
“Todo produtor acompanha as projeções climáticas com muita atenção, porque elas são fundamentais para o planejamento da próxima safra. Em um ano como este, em que os custos de fertilizantes químicos e sementes estão em patamares historicamente elevados, o produtor precisa, mais do que nunca, fazer um plantio assertivo. A forma como ele vai se adaptar para a próxima safra depende muito dessas projeções. A tendência é de um plantio com mais cautela, reduzindo, por exemplo, a área plantada no início do calendário, quando ainda há pouca umidade. O produtor não vai arriscar plantar com solo seco, chuvas esparsas ou precipitações muito antecipadas”, afirmou.
Segundo Diego Dall Asta, diante das projeções climáticas, o planejamento da próxima safra passa a exigir ainda mais atenção, desde a escolha das variedades até o momento adequado para iniciar o plantio, buscando reduzir riscos e preservar o potencial produtivo das lavouras.
“O planejamento precisa ser geral: plantar apenas com umidade suficiente para garantir uma boa germinação e um estabelecimento seguro da lavoura, pensando em um intervalo de duas a três semanas em que a planta possa suportar a falta de chuva. Além disso, é fundamental escolher materiais adaptados aos veranicos, que podem ocorrer entre outubro, novembro e dezembro. A tendência é de um ano com menos umidade, principalmente no início da safra, e com temperaturas mais altas. Então, o caminho é se adaptar: escolher bem as variedades, evitar plantar em condição de risco e trabalhar sempre com maior segurança”, orienta o vice-presidente Leste da Aprosoja MT.
A Aprosoja Mato Grosso, juntamente com especialistas, reforça que diante da possibilidade de alterações climáticas expressivas na próxima safra, o planejamento antecipado será um dos principais aliados do produtor rural.
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