Agro Notícias
Deciolândia vai receber a 13ª edição do PA Summit, Mato Grosso inicia período de grandes eventos técnicos em campo; na região Oeste

Tradicional encontro da PA Consultoria prevê reunir mais de duas mil pessoas com apresentação de dados de safras, vitrines de cultivares, espaço para expositores e palestras
Os produtores mato-grossenses já deram início à colheita das lavouras de soja e, na sequência, fazem a segunda safra, com os cultivos de milho e algodão. Além da movimentação de máquinas no campo, os primeiros meses do ano trazem um calendário intenso de eventos, que aproximam os produtores rurais da informação técnica, indicações de manejo e dados de pesquisa.
Entre os encontros que se consolidaram pela tradição e credibilidade dos resultados apresentados está o PA Summit, tradicional dia de campo promovido pela PA Consultoria, que será realizado na fazenda São Paulo, no distrito de Deciolândia, em Diamantino (MT). O evento chega à sua 13ª edição no próximo dia 31 de janeiro.
Criado para ser uma vitrine de conhecimento compartilhado, o PA Summit reúne dados de campo, análises de safras e direcionamentos estratégicos importantes para as próximas temporadas nas culturas de soja, milho e algodão. A PA Consultoria, comandada pela família do agricultor e engenheiro agrônomo Paulo Asunção, atende cerca de 70 clientes em aproximadamente 30 municípios mato-grossenses, monitorando o desenvolvimento de quase 400 mil hectares de lavouras.
“Nos comprometemos a levar para o encontro o cenário que vivenciamos em nossa fazenda e na rotina com nossos clientes. Quem participa da divulgação de resultados tem, em primeira mão, as informações sobre o manejo de plantas daninhas, pragas, doenças e todas as demais situações que impactam nos cultivos de soja, milho e algodão. As análises técnicas orientam completamente os próximos ciclos e as visões sobre o mercado contribuem para as decisões do produtor”, afirma Paulo Asunção, idealizador do PA Summit e diretor-presidente do Grupo P.A.

Programação 2026 terá palestra com Caio Coppolla
Mais do que um encontro técnico, o PA Summit se consolida como um espaço de conexão entre produtores, consultores e empresas, em um período em que decisões, dentro e fora das propriedades, precisam estar cada vez mais embasadas.
Além da palestra do próprio empresário Paulo Asunção, a programação deste ano inclui a participação de outros dois especialistas, o comentarista Caio Coppolla e consultor sócio da Agrinvest, Marcos Araújo.
O comunicador, influenciador e palestrante, Caio Coppolla, é uma das vozes mais influentes e atualizadas do cenário político e vai analisar os atuais contextos, nacional e internacional, que podem impactar o agro.
O panorama agrícola da safra 25/26 será feito pelo engenheiro agrônomo, autor, palestrante e consultor do agronegócio e sócio da Agrinvest Commodities, Marcos Araújo.
“O encontro da PA Consultoria cresceu e chega em 2026 ainda mais estratégico. O que queremos é que nossos visitantes tenham insights de alto nível e entendam as tendências e desafios presentes no agronegócio de 2026. Por isso, as discussões do que acontece além do campo são essenciais neste momento do ano”, explica João Vitor Asunção, um dos organizadores do evento.
Estrutura de feira de negócios – Embora tenha sido criado e destacado como um grande dia de campo, o PA Summit cresceu e atualmente impressiona pela estrutura de uma feira de negócios do setor agropecuário. Nesta edição de 2026, o evento contará com 32 expositores internos, em um pavilhão climatizado de aproximadamente 4 mil metros quadrados, além de expositores de máquinas e veículos na área externa. A estrutura inclui ainda uma pista de pouso para aeronaves de pequeno e médio porte, reforçando a dimensão e a organização do encontro, que recebe participantes de várias regiões de Mato Grosso, além de outros estados.
Na edição anterior, o PA Summit recebeu quase dois mil e seiscentos participantes (2.600) de 19 estados, e a expectativa é ultrapassar esta marca em 2026.

No campo, os participantes poderão visitar as vitrines de cultivo, com a participação de mais de 20 empresas, que apresentarão cerca de 60 cultivares testadas. Diferente de eventos comerciais, o propósito da consultoria e das vitrines não é posicionar produtos, mas testá-los em condições reais, garantindo um manejo mais adequado e decisões mais acertadas, o que gera maior credibilidade ao produtor.
Ingresso solidário – Uma das mudanças desta edição é a cobrança do ingresso solidário no valor de R$80,00 (oitenta reais). A renda arrecadada com as inscrições será revertida para duas entidades que prestam serviços assistenciais na região oeste de Mato Grosso, a APAE e Assovida. A atitude reforça o compromisso social do evento.
A aquisição do ingresso solidário pode ser feita pelo site www.agropa.com.br/eventos e o participante terá acesso a café-da-manhã, almoço, kit de inscrição e, para estudantes, será disponibilizado certificado.
Agro Notícias
Possibilidade de “Super El Niño” acende alerta no campo e exige planejamento antecipado para safra 2026/27

A possibilidade da formação de um “Super El Niño” neste ano já acende o sinal de alerta no setor produtivo, especialmente para a agricultura em Mato Grosso. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar mudanças significativas no regime de chuvas, elevar as temperaturas e influenciar diretamente o desenvolvimento das lavouras no estado.
Com base em dados e projeções apresentados no relatório do consultor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Clyde Fraisse, o cenário climático exige atenção redobrada por parte dos produtores rurais, uma vez que pode afetar desde o planejamento do plantio da safra 2026/27 até a definição das estratégias de manejo ao longo do ciclo produtivo.
Na avaliação do consultor, embora ainda existam incertezas quanto à intensidade do fenômeno, o cenário indica probabilidade de alterações climáticas no Centro-Oeste, exigindo planejamento antecipado e estratégias voltadas à redução dos riscos na próxima safra.
“Os impactos do El Niño sobre a safra 2026/27 dependerão não apenas da intensidade do aquecimento do Oceano Pacífico, mas também da interação com outros sistemas climáticos, especialmente o Atlântico Tropical e os padrões atmosféricos sobre a América do Sul. Entretanto, o consenso entre os principais centros meteorológicos internacionais indica que o fenômeno aumenta significativamente a probabilidade de atrasos no início da estação chuvosa no Brasil Central. Para os produtores de Mato Grosso, isso reforça a necessidade de uma estratégia preventiva baseada na redução de riscos”, afirmou o consultor.
Diante desse cenário, Clyde Fraisse destaca que o monitoramento constante das previsões climáticas e a adoção de práticas de manejo são fundamentais para reduzir os impactos de possíveis atrasos das chuvas e garantir maior estabilidade ao sistema produtivo.
“O monitorar continuamente as previsões climáticas de médio e longo prazo; evitar a semeadura após precipitações isoladas, aguardando a consolidação da estação chuvosa; manter elevada cobertura do solo por meio do Sistema Plantio Direto e de plantas de cobertura; realizar escalonamento da semeadura para reduzir a exposição ao risco climático; utilizar cultivares adaptadas às diferentes janelas de plantio e revisar o planejamento da segunda safra considerando possíveis atrasos da soja; intensificar o monitoramento fitossanitário, uma vez que mudanças no regime de temperatura e umidade podem alterar a dinâmica de doenças e pragas”, aconselhou Clyde Fraisse.
O consultor ressalta ainda que eventos climáticos dessa magnitude podem provocar reflexos em diferentes etapas da produção, afetando desde a implantação das lavouras até a logística e a comercialização dos grãos. Por isso, o uso de informações técnicas e de estudos climáticos torna-se uma ferramenta importante para orientar decisões dentro da propriedade.
“Para Mato Grosso, esses fatores representam risco elevado principalmente durante a emergência da soja, fase em que a disponibilidade hídrica é determinante para a formação do estande de plantas. A resposta climática depende da interação entre diversos modos de variabilidade climática. A climatologia baseada em eventos históricos constitui uma das ferramentas mais robustas para estimar riscos agrícolas. Estudos conduzidos pela Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, Instituto Nacional de Meteorologia e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária demonstram que existe elevada recorrência de determinados padrões regionais. Esses padrões permitem orientar decisões relacionadas ao calendário de plantio, escolha de cultivares, manejo da cobertura do solo, escalonamento da semeadura e estratégias de mitigação do risco climático”, disse.
Diante desse cenário, produtores rurais já começam a avaliar possíveis ajustes no planejamento da próxima safra. A antecipação dessas decisões pode ser determinante para minimizar perdas e garantir maior segurança produtiva. Para o vice-presidente Leste da Aprosoja MT, Diego Dall Asta, acompanhar de perto as projeções meteorológicas é indispensável para que o produtor tome decisões mais assertivas diante de um cenário de maior incerteza climática e custos elevados de produção.
“Todo produtor acompanha as projeções climáticas com muita atenção, porque elas são fundamentais para o planejamento da próxima safra. Em um ano como este, em que os custos de fertilizantes químicos e sementes estão em patamares historicamente elevados, o produtor precisa, mais do que nunca, fazer um plantio assertivo. A forma como ele vai se adaptar para a próxima safra depende muito dessas projeções. A tendência é de um plantio com mais cautela, reduzindo, por exemplo, a área plantada no início do calendário, quando ainda há pouca umidade. O produtor não vai arriscar plantar com solo seco, chuvas esparsas ou precipitações muito antecipadas”, afirmou.
Segundo Diego Dall Asta, diante das projeções climáticas, o planejamento da próxima safra passa a exigir ainda mais atenção, desde a escolha das variedades até o momento adequado para iniciar o plantio, buscando reduzir riscos e preservar o potencial produtivo das lavouras.
“O planejamento precisa ser geral: plantar apenas com umidade suficiente para garantir uma boa germinação e um estabelecimento seguro da lavoura, pensando em um intervalo de duas a três semanas em que a planta possa suportar a falta de chuva. Além disso, é fundamental escolher materiais adaptados aos veranicos, que podem ocorrer entre outubro, novembro e dezembro. A tendência é de um ano com menos umidade, principalmente no início da safra, e com temperaturas mais altas. Então, o caminho é se adaptar: escolher bem as variedades, evitar plantar em condição de risco e trabalhar sempre com maior segurança”, orienta o vice-presidente Leste da Aprosoja MT.
A Aprosoja Mato Grosso, juntamente com especialistas, reforça que diante da possibilidade de alterações climáticas expressivas na próxima safra, o planejamento antecipado será um dos principais aliados do produtor rural.
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