Agro Notícias
CTECNO Araguaia apresentará resultados de pesquisa aplicada à cultura da soja e sistemas de produção durante visita

O Centro Tecnológico do Vale do Araguaia (CTECNO Araguaia) abrirá as portas aos produtores rurais e a todos os interessados em adquirir conhecimento voltado ao manejo da cultura da soja em solos rasos e com alto teor de silte. No centro de pesquisa, a equipe técnica conduz experimentos para responder às dúvidas práticas e recorrentes do dia a dia das fazendas. A visita técnica ocorrerá no próximo dia 28 de janeiro de 2026, no município de Nova Nazaré, e é uma parceria entre a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT). A participação é gratuita e os interessados podem se inscrever no site da Aprosoja MT.
Com 275 hectares, o CTECNO Araguaia contribui há três anos com pesquisas focadas no aumento da rentabilidade dos sistemas de produção com soja, milho e culturas alternativas. Os estudos são direcionados especialmente para agricultores que cultivam em solos com características siltosas ou rasos.
Durante o evento desta safra, os produtores terão acesso a informações técnicas consolidadas ao longo dos três anos de condução do Centro. Além disso, poderão esclarecer dúvidas e debater questões pontuais com pesquisadores e profissionais técnicos que estarão conduzindo diferentes estações temáticas ao longo da visita.
O coordenador do CTECNO Araguaia, André Somavilla, explica que o evento será organizado em quatro temas principais: “O primeiro tema é voltado para o ganho de produtividade da soja com aplicação de micronutrientes ou produtos fisiológicos. O segundo tema é o impacto da densidade de semeadura em cultivos de soja, tratando sobre produtividade e necessidade de replantios. O terceiro tema é voltado para o manejo do solo e na nutrição na soja. Abordaremos alguns ensaios de correção de nutrientes com fósforo, potássio, uso de calcário e uso de gesso. E o quarto tema que queremos abordar envolve sistemas de produção. É o nosso ensaio de rotação de cultura, que é um ensaio que vai para o primeiro ano de soja já cultivada em diferentes palhadas”.
A agricultura em solos siltosos e rasos possui desafios importantes. O alto teor de silte e a menor profundidade do perfil exigem elevado conhecimento técnico e prático dos produtores. Conhecimentos estes voltados especialmente para melhorar o estabelecimento das lavouras (plantabilidade, variedades/híbridos e população), o manejo de nutrientes (fósforo, potássio, nitrogênio e micros) e o aproveitamento da água pelas culturas.
Por estas serem as principais demandas dos agricultores da região do Vale do Araguaia, Somavilla destaca a importância da participação dos produtores e técnicos no evento. Segundo ele, a visita técnica é uma oportunidade para compreender os resultados obtidos nos ensaios e avaliar como essas informações podem ser aplicadas diretamente nas propriedades rurais.
O produtor rural e vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, afirmou que todos os agricultores devem fazer visitas aos centros de pesquisa, principalmente pela qualidade e confiabilidade dos resultados apresentados.
“Quando o produtor vê no CTECNO os estudos feitos e os trabalhos realizados já sai de lá com a certeza de que podem ser aplicados na lavoura. Muitas vezes ele tem a dúvida se está fazendo certo na lavoura. Tudo o que se é feito lá são coisas que o agricultor usa no dia a dia, então quando ele visita, ele vê, ele sabe que poderá usar 100% na lavoura e ter resultados significativos.”, afirma.
Todos os anos, o centro de pesquisa recebe os produtores rurais que buscam se atualizar e aprimorar as técnicas de manejo. O delegado do núcleo de Paranatinga, Gabriel Angelo Montanher Bortolo, explicou que visitou o CTECNO e observou os diferentes tipos de manejos. O produtor destacou que a visita é muito importante para os agricultores, principalmente àqueles que cultivam em solos siltosos devido à baixa quantidade de pesquisas.
“Não tinha nenhum tipo de pesquisa relacionada a solos siltosos, então o CTECNO Araguaia veio com uma importância gigantesca. O solo siltoso abrange muita parte aqui do Centro-Oeste e nós não tínhamos nenhuma pesquisa relacionada a esse tipo de solo. A visita ao CTECNO é muito importante para todos os produtores que têm ou tendem a ter um solo siltoso para ver como funciona o manejo”, recomenda.
O CTECNO Araguaia é um dos principais centros de pesquisa agrícola do Brasil e está de portas abertas para todos que queiram aprender mais sobre a agricultura em solo siltoso. A programação ocorre durante toda a manhã, a partir das 7h, no campo experimental localizado próximo ao encontro da MT-326 com a BR-158.
A inscrição pode ser feita no site da Aprosoja MT e para mais informações, os interessados podem entrar em contato com o Canal do Produtor pelo telefone (65) 3027-8100.
Bruna Cardoso
Agro Notícias
Possibilidade de “Super El Niño” acende alerta no campo e exige planejamento antecipado para safra 2026/27

A possibilidade da formação de um “Super El Niño” neste ano já acende o sinal de alerta no setor produtivo, especialmente para a agricultura em Mato Grosso. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar mudanças significativas no regime de chuvas, elevar as temperaturas e influenciar diretamente o desenvolvimento das lavouras no estado.
Com base em dados e projeções apresentados no relatório do consultor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Clyde Fraisse, o cenário climático exige atenção redobrada por parte dos produtores rurais, uma vez que pode afetar desde o planejamento do plantio da safra 2026/27 até a definição das estratégias de manejo ao longo do ciclo produtivo.
Na avaliação do consultor, embora ainda existam incertezas quanto à intensidade do fenômeno, o cenário indica probabilidade de alterações climáticas no Centro-Oeste, exigindo planejamento antecipado e estratégias voltadas à redução dos riscos na próxima safra.
“Os impactos do El Niño sobre a safra 2026/27 dependerão não apenas da intensidade do aquecimento do Oceano Pacífico, mas também da interação com outros sistemas climáticos, especialmente o Atlântico Tropical e os padrões atmosféricos sobre a América do Sul. Entretanto, o consenso entre os principais centros meteorológicos internacionais indica que o fenômeno aumenta significativamente a probabilidade de atrasos no início da estação chuvosa no Brasil Central. Para os produtores de Mato Grosso, isso reforça a necessidade de uma estratégia preventiva baseada na redução de riscos”, afirmou o consultor.
Diante desse cenário, Clyde Fraisse destaca que o monitoramento constante das previsões climáticas e a adoção de práticas de manejo são fundamentais para reduzir os impactos de possíveis atrasos das chuvas e garantir maior estabilidade ao sistema produtivo.
“O monitorar continuamente as previsões climáticas de médio e longo prazo; evitar a semeadura após precipitações isoladas, aguardando a consolidação da estação chuvosa; manter elevada cobertura do solo por meio do Sistema Plantio Direto e de plantas de cobertura; realizar escalonamento da semeadura para reduzir a exposição ao risco climático; utilizar cultivares adaptadas às diferentes janelas de plantio e revisar o planejamento da segunda safra considerando possíveis atrasos da soja; intensificar o monitoramento fitossanitário, uma vez que mudanças no regime de temperatura e umidade podem alterar a dinâmica de doenças e pragas”, aconselhou Clyde Fraisse.
O consultor ressalta ainda que eventos climáticos dessa magnitude podem provocar reflexos em diferentes etapas da produção, afetando desde a implantação das lavouras até a logística e a comercialização dos grãos. Por isso, o uso de informações técnicas e de estudos climáticos torna-se uma ferramenta importante para orientar decisões dentro da propriedade.
“Para Mato Grosso, esses fatores representam risco elevado principalmente durante a emergência da soja, fase em que a disponibilidade hídrica é determinante para a formação do estande de plantas. A resposta climática depende da interação entre diversos modos de variabilidade climática. A climatologia baseada em eventos históricos constitui uma das ferramentas mais robustas para estimar riscos agrícolas. Estudos conduzidos pela Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, Instituto Nacional de Meteorologia e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária demonstram que existe elevada recorrência de determinados padrões regionais. Esses padrões permitem orientar decisões relacionadas ao calendário de plantio, escolha de cultivares, manejo da cobertura do solo, escalonamento da semeadura e estratégias de mitigação do risco climático”, disse.
Diante desse cenário, produtores rurais já começam a avaliar possíveis ajustes no planejamento da próxima safra. A antecipação dessas decisões pode ser determinante para minimizar perdas e garantir maior segurança produtiva. Para o vice-presidente Leste da Aprosoja MT, Diego Dall Asta, acompanhar de perto as projeções meteorológicas é indispensável para que o produtor tome decisões mais assertivas diante de um cenário de maior incerteza climática e custos elevados de produção.
“Todo produtor acompanha as projeções climáticas com muita atenção, porque elas são fundamentais para o planejamento da próxima safra. Em um ano como este, em que os custos de fertilizantes químicos e sementes estão em patamares historicamente elevados, o produtor precisa, mais do que nunca, fazer um plantio assertivo. A forma como ele vai se adaptar para a próxima safra depende muito dessas projeções. A tendência é de um plantio com mais cautela, reduzindo, por exemplo, a área plantada no início do calendário, quando ainda há pouca umidade. O produtor não vai arriscar plantar com solo seco, chuvas esparsas ou precipitações muito antecipadas”, afirmou.
Segundo Diego Dall Asta, diante das projeções climáticas, o planejamento da próxima safra passa a exigir ainda mais atenção, desde a escolha das variedades até o momento adequado para iniciar o plantio, buscando reduzir riscos e preservar o potencial produtivo das lavouras.
“O planejamento precisa ser geral: plantar apenas com umidade suficiente para garantir uma boa germinação e um estabelecimento seguro da lavoura, pensando em um intervalo de duas a três semanas em que a planta possa suportar a falta de chuva. Além disso, é fundamental escolher materiais adaptados aos veranicos, que podem ocorrer entre outubro, novembro e dezembro. A tendência é de um ano com menos umidade, principalmente no início da safra, e com temperaturas mais altas. Então, o caminho é se adaptar: escolher bem as variedades, evitar plantar em condição de risco e trabalhar sempre com maior segurança”, orienta o vice-presidente Leste da Aprosoja MT.
A Aprosoja Mato Grosso, juntamente com especialistas, reforça que diante da possibilidade de alterações climáticas expressivas na próxima safra, o planejamento antecipado será um dos principais aliados do produtor rural.
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