Agro Notícias
Crédito do agronegócio entra em nova fase em 2026 com recorde de emissões

Após um período de turbulência marcado por eventos climáticos, recuperação judicial de empresas e maior aversão ao risco, o financiamento do setor rural inicia 2026 em um novo patamar. Dados de 2025 mostram recorde nas emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), que somaram R$ 46,2 bilhões — alta de 11,1% na comparação anual. Já os Fiagros movimentaram R$ 6,4 bilhões em ofertas, crescimento de 31,3%.
Com patrimônio de R$ 21,6 bilhões e captação líquida positiva de R$ 9,1 bilhões no último ano, os fundos ligados às cadeias agroindustriais entram em 2026 mais estruturados, com carteiras pulverizadas e maior rigor na análise de risco.
O cenário favorece esse avanço. O mercado de capitais registrou R$ 838,8 bilhões em ofertas em 2025, enquanto o crédito público encolheu e o BNDES reduziu a participação em financiamentos de longo prazo. O espaço aberto impulsiona o protagonismo do financiamento privado no campo.
Indústria mais madura após período de estresse
Criados em 2022, os Fiagros ainda são considerados instrumentos recentes, mas passaram por um “teste de estresse” relevante. A combinação de custos elevados, guerra na Ucrânia, oscilações nas commodities e eventos climáticos pressionou margens e expôs fragilidades na cadeia produtiva.
Casos como a recuperação judicial da Agrogalaxy ampliaram a volatilidade das cotas, inclusive em fundos sem exposição direta ao episódio. Ainda assim, o setor mostrou resiliência: houve entrada de novos gestores, manutenção de captação líquida positiva e consolidação das estruturas.
Especialistas avaliam que o período funcionou como um ajuste necessário. A principal lição foi a necessidade de diversificação do risco. Operações concentradas em poucos créditos sofreram mais, enquanto carteiras pulverizadas apresentaram maior estabilidade.
Mais governança e disciplina
O novo ciclo também trouxe mudanças do lado dos tomadores de recursos. Produtores, cooperativas e indústrias passaram a investir mais em governança e transparência para acessar o mercado com estruturas mais sólidas.
Ao mesmo tempo, o arcabouço regulatório dos Fiagros evoluiu. As regras atuais permitem maior flexibilidade na composição dos ativos, incluindo CRAs, FIDCs e imóveis rurais dentro de um mesmo fundo, ampliando as possibilidades de estruturação.
CRA segue relevante, mas Fiagro ganha centralidade
Mesmo com ajustes regulatórios recentes que restringiram alguns lastros elegíveis, o mercado de CRAs manteve crescimento. No entanto, a avaliação é de que os Fiagros tendem a assumir papel cada vez mais estratégico no financiamento privado do setor.
Após um período de poucas ofertas subsequentes, a expectativa para 2026 é de retomada dos follow-ons, impulsionada por melhora nas margens da safra 2025/26 e maior confiança dos investidores.
Com menor dependência de recursos públicos e um mercado de capitais mais ativo, 2026 se desenha como um ano-chave para consolidar o novo modelo de financiamento do agronegócio brasileiro.
Fonte CNN Brasil
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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