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Agro Notícias

COFCO inaugura corredor ferroviário de biodiesel entre Mato Grosso e São Paulo com carga de 400 mil litros

Operação inédita da companhia saiu de Rondonópolis com destino a Paulínia (SP) e reforça estratégia de expansão da produção e utilização das ferrovias para o escoamento de produtos de Mato Grosso

A COFCO International deu um novo passo em sua estratégia de expansão e integração logística em Mato Grosso ao realizar o primeiro transporte ferroviário de biodiesel B100 da companhia no Brasil. A operação, divulgada no domingo, 5 de outubro de 2026, movimentou 400 mil litros de biodiesel puro entre Rondonópolis (MT) e Paulínia (SP).

O biocombustível saiu da unidade da multinacional localizada em Rondonópolis e percorreu o corredor ferroviário até o terminal da OPLA, em Paulínia, um dos mais importantes polos brasileiros de armazenamento, distribuição e movimentação de combustíveis.

A iniciativa representa uma nova alternativa para o escoamento da produção mato-grossense e amplia a participação do transporte ferroviário nas operações da companhia. Até então, a ferrovia já desempenhava papel importante na movimentação de commodities agrícolas, como soja, milho e farelo. Agora, o biodiesel passa a integrar essa estratégia logística.

Segundo informações divulgadas sobre a operação, o projeto-piloto busca diversificar os modais utilizados para o transporte do biocombustível, criando uma ligação mais eficiente entre uma das principais regiões produtoras do país e o mercado consumidor e distribuidor de combustíveis do Sudeste.

Operação acontece após ampliação da capacidade em Rondonópolis

O novo corredor ferroviário ganha ainda mais importância porque ocorre poucas semanas após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizar uma nova ampliação da capacidade operacional da planta da COFCO instalada em Rondonópolis.

No final de agosto, a unidade recebeu autorização para operar com capacidade de 1.400 metros cúbicos de biodiesel por dia — o equivalente a 1,4 milhão de litros diariamente. O novo limite representa aumento de aproximadamente 17% sobre a capacidade anteriormente autorizada.

A planta está instalada justamente no Parque Industrial Intermodal de Rondonópolis, região estratégica pela proximidade com a estrutura ferroviária responsável pela ligação de Mato Grosso com importantes terminais de São Paulo.

A combinação entre aumento de capacidade industrial e abertura de uma nova alternativa logística indica uma estratégia da companhia voltada não apenas para produzir mais biodiesel no Estado, mas também para tornar mais eficiente seu transporte até os principais mercados consumidores.

Trem no Terminal Export Cofco, em Santos

Ferrovia ganha espaço no transporte do biodiesel

O transporte de 400 mil litros de B100 de Rondonópolis para Paulínia demonstra o potencial das ferrovias para assumir uma parcela maior da movimentação dos biocombustíveis produzidos no Centro-Oeste.

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De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, a proposta é utilizar o modal ferroviário de forma complementar às demais alternativas logísticas, aumentando a flexibilidade e a segurança operacional do fornecimento de combustíveis renováveis.

O avanço ocorre também em um momento de mudanças regulatórias relacionadas ao biodiesel. A legislação brasileira passou a permitir, mediante comunicação à ANP, usos voluntários de B100 em atividades como transporte ferroviário, navegação, transporte público e frotas cativas. A própria COFCO aparece nos registros da agência relacionados ao uso de B100 em sua frota cativa rodoviária.

Além da possibilidade de movimentação de grandes volumes, a ferrovia pode contribuir para reduzir a dependência do transporte rodoviário em longas distâncias e diminuir a pegada de carbono associada à logística.

Mato Grosso ganha importância na estratégia da COFCO

A operação reforça a posição de Mato Grosso dentro da estrutura nacional da COFCO International.

O Estado reúne elevada produção de soja, milho e outras matérias-primas utilizadas tanto na cadeia de alimentos quanto na fabricação de biocombustíveis. Rondonópolis, por sua vez, possui posição estratégica por concentrar estruturas industriais, armazéns e conexão direta com a ferrovia que segue em direção ao Estado de São Paulo.

Com a nova operação, o corredor Rondonópolis–Paulínia passa a ter potencial para transportar não somente produtos tradicionais do agronegócio, mas também volumes crescentes de biodiesel.

Caso o projeto-piloto seja ampliado, o biocombustível poderá se tornar mais um produto relevante na pauta ferroviária originada em Mato Grosso.

A movimentação de 400 mil litros realizada nesta primeira operação corresponde a pouco menos de um terço da atual capacidade diária autorizada da planta da companhia em Rondonópolis, que chega a 1,4 milhão de litros.

COFCO e Bunge negociam participação na Rumo

Outro movimento que merece atenção é a negociação envolvendo a própria infraestrutura ferroviária utilizada para conectar o Centro-Oeste ao Sudeste.

A COFCO, em parceria com a Bunge, permanece entre os interessados na aquisição de uma participação de aproximadamente 15% da Rumo, atualmente pertencente à Cosan.

Informações publicadas em 2 de outubro apontam que a negociação chegou à fase final. Outros interessados que participaram do processo, entre eles Grupo México, Ultrapar e Inpasa, teriam deixado a disputa, permanecendo a proposta conjunta de COFCO e Bunge como principal alternativa para a fatia colocada à venda.

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O principal ponto de negociação ainda seria o preço da participação.

A eventual aquisição teria relevância especial para Mato Grosso, já que a Rumo controla uma das principais estruturas ferroviárias utilizadas no escoamento da produção agrícola do Estado em direção ao Sudeste e aos portos.

Embora uma eventual participação acionária não signifique controle direto da ferrovia pela COFCO, o negócio aprofundaria a presença da multinacional chinesa em uma infraestrutura considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso seguem no radar

Apesar da expansão da companhia em Mato Grosso, até o momento não há novo anúncio confirmado de construção de armazém, terminal ferroviário, esmagadora ou outra unidade própria da COFCO especificamente em Nova Mutum, Lucas do Rio Verde ou Sorriso relacionado a esta nova operação.

Isso não diminui, entretanto, a importância estratégica do Médio-Norte mato-grossense.

Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso estão entre os municípios de uma das maiores regiões produtoras de grãos do Brasil, e qualquer avanço da infraestrutura ferroviária rumo ao norte do Estado poderá modificar significativamente a logística de comercialização de soja, milho, farelo e biocombustíveis.

O fortalecimento da ligação entre as áreas produtoras e a infraestrutura ferroviária de Mato Grosso também aumenta a atenção sobre possíveis novos investimentos privados em armazenagem, processamento e terminais logísticos.

Uma nova etapa na logística de biocombustíveis

A primeira viagem ferroviária com biodiesel da COFCO entre Rondonópolis e Paulínia deve ser observada principalmente pelo que poderá representar no médio e longo prazo.

A operação reúne três movimentos importantes: aumento da capacidade produtiva de biodiesel em Mato Grosso, maior utilização da ferrovia e aproximação das grandes tradings com a infraestrutura logística ferroviária brasileira.

Se o projeto-piloto apresentar resultados positivos e ganhar escala comercial, a ferrovia poderá passar a desempenhar papel crescente no escoamento do biodiesel produzido em Mato Grosso.

Nesse cenário, Rondonópolis consolida sua posição como uma das principais portas de saída ferroviárias da produção mato-grossense, enquanto municípios do eixo produtivo mais ao norte, como Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso, permanecem estratégicos para os próximos movimentos de expansão logística e industrial.

A novidade concreta, por enquanto, está estabelecida: 400 mil litros de biodiesel B100 produzidos em Mato Grosso deixaram Rondonópolis por ferrovia e chegaram a Paulínia, inaugurando um novo capítulo na logística de biocombustíveis da COFCO no Brasil.

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Agro Notícias

Nova Mutum inaugura Central de Distribuição de R$ 4,3 milhões para fortalecer agricultura familiar

Nova estrutura no Jardim Europa terá papel estratégico na logística, comercialização dos produtos e abastecimento da merenda escolar

Nova Mutum ganhou uma importante estrutura voltada ao fortalecimento da agricultura familiar. A Central de Distribuição da Agricultura Familiar, inaugurada na última sexta-feira (2), no bairro Jardim Europa, recebeu investimento de aproximadamente R$ 4,3 milhões e deverá melhorar as condições de armazenamento, distribuição e comercialização da produção local.

Com cerca de 1,2 mil metros quadrados, o espaço conta com docas para embarque e desembarque, boxes para realização de feiras e ambientes destinados à preparação, embalagem, armazenamento e distribuição de frutas, verduras, legumes, produtos orgânicos, cereais e grãos. A estrutura também deverá contribuir diretamente para o abastecimento da merenda escolar da rede municipal.

A inauguração contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Lucas Badan (União Brasil), além dos vereadores Beatriz Matos (PP), Carmem Casagrande (União Brasil), Anderson Mantovan (União Brasil), Maciel Sousa (Republicanos), Ataíde Luiz da Silva, o Baguncinha, Jaiane Santos (PP) e Altair Albuquerque (PP).

Estrutura deve melhorar logística dos pequenos produtores

Um dos principais benefícios apontados para a nova Central é a melhoria da logística enfrentada pelos produtores rurais.

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Durante a entrega, Lucas Badan destacou que a estrutura oferece melhores condições para armazenamento, transporte e comercialização dos produtos, além de ampliar as oportunidades para os agricultores familiares do município. Segundo o presidente do Legislativo, a Câmara continuará acompanhando as demandas do setor e buscando melhorias para os produtores.

Para o presidente da Associação dos Pequenos Produtores do Entorno de Nova Mutum (APRENM), Dyego Lang Meldola, a inauguração representa uma conquista importante para os agricultores.

Segundo ele, a falta de uma estrutura adequada dificultava principalmente a organização da produção e a logística. Com a nova Central, os produtores passam a contar com melhores condições para organizar, armazenar e distribuir os alimentos produzidos no município.

Mais oportunidades de comercialização

A expectativa é que a Central funcione como um ponto estratégico para receber, preparar e comercializar os produtos da agricultura familiar, aproximando quem produz de consumidores, feiras e demais canais de comercialização.

O produtor e feirante Paulo Luft destacou que a possibilidade de armazenar e organizar adequadamente a produção deverá facilitar as entregas e criar novas oportunidades de exposição e venda dos produtos.

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A feirante Gislaine Zuconeli também ressaltou que a estrutura traz mais segurança para produtores e comerciantes e representa um reforço importante para o desenvolvimento da agricultura familiar em Nova Mutum.

Agricultura familiar ganha espaço no desenvolvimento de Nova Mutum

A implantação da Central ocorre em um momento em que o município também discute novas políticas públicas voltadas ao setor.

Em setembro, a Câmara Municipal recebeu o Projeto de Lei nº 30/2026, que prevê a criação da Política Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável da Agricultura Familiar. Entre as diretrizes estão justamente o fortalecimento da infraestrutura de produção, logística, comercialização e abastecimento.

Com a nova estrutura, Nova Mutum amplia o apoio aos pequenos produtores e cria condições para que uma parcela maior dos alimentos produzidos no próprio município possa chegar aos consumidores, às feiras e à alimentação escolar.

Além de melhorar a logística, a iniciativa pode contribuir para geração de renda, valorização dos produtores locais e fortalecimento da economia rural, consolidando a agricultura familiar como parte importante do desenvolvimento econômico e social de Nova Mutum.

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