Agro Notícias
Altemar Kroling participa do CAD Parecis 2021 e tece elogios
Apesar de 2020 ter sido um ano de poucas chuvas foi possível demonstrar grandes resultados nas pesquisas realizadas pelo Centro de Aprendizagem e Difusão (CAD Parecis), no Dia de Campo “Soja em solos arenosos”, realizado em dois dias de evento, em Campo Novo do Parecis, promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), em parceria com a Fundação Mato Grosso.
No 5º ano de estudo os pesquisadores perceberam vários avanços no solo, e que as soluções não estão necessariamente na qualidade dos insumos que o produtor rural compra, mas sim como ele faz o manejo. “Os insumos adquiridos são ferramentas de melhoria do meio ambiente, a produção e a rentabilidade dependem de como essa tecnologia é usada. Conseguimos demonstrar aos participantes que solos arenosos precisam ser corrigidos, melhorar a base, o sistema de produção, por meio de outras plantas inseridas no processo produtivo como, por exemplo, a sequência de cultura antecessora”, afirmou o diretor da Fundação Mato Grosso, Leandro Zancanaro.
Produtor rural do município de Diamantino, Altemar Kroling, já participou três anos consecutivos do CAD Parecis. Segundo ele, desta vez foi a que mais chamou a atenção.
“Estou surpreso com os trabalhos feitos com as braquiárias, na aplicação de potássio, esse ano está mais acentuado, já é o quinto ano desse ensaio e ficou visualmente muito bem definido os experimentos que vem sendo conduzidos. Muita coisa do que aprendo aqui já está sendo implementado em minha propriedade”, afirmou Altemar.
Altemar Kroling produtor rural de Diamantino, afirma que as experiências na CAD Parecis são importantes para todo o setor produtivo de Mato Grosso e do Brasil.
Conforme a gerente de Defesa Agrícola da Aprosoja-MT, Jerusa Rech, o CAD Parecis deste ano superou as expectativas e foi um sucesso, tendo em vista a limitação de pessoas por conta da pandemia, além da chuva nos dias de evento. “Mesmo tendo que restringir as inscrições tivemos a participação de 250 produtores rurais de todas as regiões de Mato Grosso e até mesmo de outros Estados, que poderão a partir de agora aplicar as tecnologias obtidas aqui em suas propriedades”.
CAD Parecis
Possui 88 hectares com textura do solo variando entre 7% e 35% de argila, destinado a realização de pesquisas que auxiliam o produtor rural. Os trabalhos são voltados à compreensão da fitotecnia, uso e conservação do solo, dinâmica de nutrientes, sistemas de produção, correção solo, pragas e doenças.
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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