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Política Nacional

Lula pede trégua e mais negociações contra tarifaço a Trump por telefone

As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) nesta sexta-feira. O Palácio do Planalto informou que a conversa foi “em tom amistoso e cordial” e durou uma hora e 20 minutos.

“Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas”, relatou o governo brasileiro na nota.

O texto acrescenta: “Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, [Lula] afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil”.

O comunicado foi divulgado pela Secom no início da tarde desta sexta. A conversa entre Lula e Trump aconteceu pela manhã. O combate ao crime organizado também foi assunto, assim como em outras conversas entre os dois chefes de Estado.

De acordo com a Secom, Lula “reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado” e “argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas”.

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Ele também disse que o Brasil “tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las”.

A Secom pouco falou sobre as reações de Trump às falas de Lula.

Sobre a questão envolvendo o combate ao crime organizado e à decisão dos Estados Unidos de ter classificado facções criminosas do Brasil como terroristas, a Secom limitou-se a dizer que Trump “se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”.

A conversa entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos também passou pela Organização das Nações Unidas (ONU). Assim como fez com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, Lula reclamou a Trump sobre o conselho de segurança da ONU.

“O presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. O presidente Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, informou a Secom.

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Fonte: Agência Estado

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Política Nacional

Crise no STF amplia pressão em Mato Grosso, onde lideranças cobram investigação, afastamento e até impeachment de ministros

Revelações envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes aprofundaram desgaste da Suprema Corte; políticos mato-grossenses defendem respostas mais duras do Senado e apuração sem privilégios

A crise institucional que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de mensagens e documentos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhou forte repercussão em Mato Grosso. Entre as principais lideranças políticas do estado que se manifestaram publicamente nos últimos dias, predomina a cobrança por investigação rigorosa, afastamento de autoridades envolvidas e, em alguns casos, abertura de processo de impeachment.

O caso ganhou dimensão nacional depois que vieram a público informações extraídas do celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Relatório da Polícia Federal reuniu mensagens, registros de encontros e documentos que mencionam o ministro Alexandre de Moraes e outras autoridades. Parte do material envolve um contrato estimado em cerca de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A defesa do escritório afirma que a contratação foi regular, enquanto Moraes nega irregularidades.

O episódio aprofundou uma das crises mais graves enfrentadas pelo Supremo nos últimos anos e provocou confronto direto entre Moraes e o ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao Banco Master. Nesta terça-feira (8), Mendonça determinou inclusive o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, ampliando ainda mais a tensão entre instituições.

Wellington defende afastamento de Moraes

Em Mato Grosso, uma das manifestações mais recentes partiu do senador e candidato ao Governo do Estado Wellington Fagundes (PL).

Ele voltou a defender o impeachment de Alexandre de Moraes e afirmou que, diante das revelações, o ministro deveria se afastar temporariamente do cargo para permitir que as apurações ocorram com maior independência.

Segundo Wellington, “no mínimo” Moraes deveria deixar temporariamente suas funções enquanto os fatos são analisados. O senador também criticou o que considera uma diferença de tratamento entre autoridades poderosas e cidadãos comuns.

A posição de Wellington se soma a manifestações de outras lideranças de diferentes partidos em Mato Grosso.

Max Russi cobra ação do Senado

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Max Russi (Podemos), também elevou a pressão sobre o Congresso Nacional.

Russi afirmou que o Senado não pode permanecer passivo diante das informações reveladas e defendeu que os pedidos de impeachment apresentados contra Alexandre de Moraes sejam efetivamente analisados.

Para o presidente da Assembleia, cabe aos senadores tomar uma decisão institucional sobre a abertura ou não do processo, em vez de manter os pedidos sem apreciação.

A Constituição Federal atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade, conforme estabelece o artigo 52.

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Janaina Riva: “Ninguém está acima da lei”

A deputada estadual e candidata ao Senado Janaina Riva (MDB) também cobrou respostas das instituições.

Ao comentar as informações envolvendo Moraes e Vorcaro, Janaina defendeu investigação dos fatos, análise da autenticidade e do contexto das mensagens e responsabilização caso sejam constatadas irregularidades.

“Ninguém está acima da lei, nem quem julga todo mundo”, afirmou a parlamentar ao cobrar posicionamento do Senado.

Em outra manifestação, Janaina criticou a demora na análise de pedidos contra integrantes do Supremo e disse que a situação exige coragem institucional por parte dos senadores.

Pivetta pede punição para quem tiver cometido irregularidades

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) adotou um discurso de cobrança pelo funcionamento das instituições, sem direcionar sua manifestação exclusivamente a Moraes.

Ao ser questionado sobre o caso, Pivetta afirmou que ninguém pode estar acima da lei e defendeu que eventuais responsáveis sejam punidos, independentemente do cargo que ocupem.

Segundo ele, se os três Poderes cumprirem integralmente suas funções constitucionais, qualquer autoridade que tenha cometido irregularidades deverá responder pelos próprios atos. parlamentares precisam possuir independência suficiente para votar medidas necessárias ao país.

Entre as manifestações mais severas está a do deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL).

Medeiros chegou a defender a prisão de Alexandre de Moraes após a divulgação de mensagens nas quais Vorcaro discutia a possibilidade de deixar o país diante do risco de uma operação policial.

O parlamentar comparou o episódio com o caso do ex-senador Delcídio do Amaral, preso em 2015 no contexto da Operação Lava Jato.

Nos últimos dias, Medeiros voltou a criticar duramente a postura do ministro e classificou o atual ambiente institucional do Supremo como de “degradação total”.

Margareth Buzetti e outros candidatos também pressionam

A candidata ao Senado Margareth Buzetti (PP) também se manifestou favoravelmente ao impeachment de Moraes e cobrou posicionamento dos demais candidatos mato-grossenses.

Levantamento das manifestações públicas mostra que vários nomes que disputam as duas vagas ao Senado em Mato Grosso passaram a defender algum tipo de medida contra o ministro.

Além de Medeiros, Buzetti e Janaina, Carlos Fávaro (PSD) também afirmou que Moraes precisa prestar esclarecimentos e, dependendo dos fatos, renunciar ou enfrentar processo no Senado. O ex-governador Pedro Taques defendeu investigação tanto de Moraes quanto de outros integrantes da Corte citados nas controvérsias.

Dessa forma, entre as principais lideranças mato-grossenses que decidiram se manifestar publicamente sobre o episódio, existe uma clara predominância de posições favoráveis a investigação aprofundada e consequências institucionais caso as suspeitas sejam comprovadas.

Coronel Fernanda defende afastamento

A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) também defendeu que Moraes se afaste enquanto os fatos são esclarecidos.

A parlamentar afirmou que o caso exige transparência e comemorou a apresentação de novos pedidos de impeachment no Senado.

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Fernanda já havia solicitado, ainda em 2025, a convocação de Daniel Vorcaro para prestar esclarecimentos à CPMI do INSS, meses antes dos atuais desdobramentos envolvendo integrantes do Supremo.

Abilio critica possível blindagem no Senado

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), também fez críticas contundentes, mas demonstrou pessimismo quanto à possibilidade de responsabilização.

Segundo Abilio, existe a possibilidade de o Senado evitar um confronto direto com o Supremo. O prefeito afirmou acreditar que interesses políticos e investigações envolvendo parlamentares dificultariam uma reação mais contundente contra integrantes da Corte.

Crise vai além de Alexandre de Moraes

Apesar de Moraes estar no centro da maior parte das manifestações políticas, a crise no Supremo atualmente é mais ampla.

As revelações provocaram questionamentos também sobre a atuação de André Mendonça, responsável pelas investigações relacionadas ao Banco Master. Moraes pediu investigação contra o colega por suposto abuso de autoridade, enquanto decisões de Mendonça passaram a ser contestadas pela Procuradoria-Geral da República e por integrantes do próprio tribunal.

O presidente do STF, Edson Fachin, classificou o momento como de “especial gravidade” e afirmou que adotará as medidas institucionais necessárias após análise dos fatos.

A dimensão da crise ficou ainda mais evidente nesta terça-feira, quando 13 ministros aposentados e ex-presidentes do STF divulgaram uma carta cobrando uma resposta institucional e apuração rigorosa dos episódios que atingem a Corte.

Pressão sobre o Senado deve aumentar

Politicamente, o foco agora se desloca cada vez mais para o Senado Federal.

Isso acontece porque, constitucionalmente, é a Casa responsável por processar e julgar ministros do STF em eventuais crimes de responsabilidade. A abertura de um processo, entretanto, depende do cumprimento das etapas previstas na legislação e não significa condenação antecipada.

O cenário exige cautela jurídica: mensagens, documentos ou suspeitas não equivalem automaticamente à comprovação de crime. As responsabilidades de cada pessoa deverão ser individualizadas e submetidas ao devido processo legal, garantindo investigação, contraditório e direito de defesa.

Ao mesmo tempo, a pressão política é evidente.

Em Mato Grosso, manifestações de Wellington Fagundes, Max Russi, Janaina Riva, Otaviano Pivetta, José Medeiros, Margareth Buzetti, Coronel Fernanda, Abilio Brunini e outras lideranças mostram que o desgaste do Supremo deixou de ser apenas uma disputa institucional em Brasília e entrou diretamente no debate político estadual e na campanha eleitoral de 2026.

O ponto em comum entre a maior parte dessas manifestações é a defesa de que autoridades do Judiciário também devem ser investigadas e, caso irregularidades sejam comprovadas, submetidas às sanções previstas na Constituição e nas leis brasileiras.

A crise, portanto, poderá tornar o papel do Senado e a relação entre Congresso e Supremo um dos principais temas da reta final das eleições de outubro.

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