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Rodrigo Barroso e mais três tomam posse como Defensores Públicos

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Os quatro novos defensores públicos de Mato Grosso vão tomar posse amanhã (20), às 9h, na sede da Defensoria Pública, no Centro Político Administrativo da capital. Por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a cerimônia foi restrita aos novos defensores, membros da Administração Superior e poucos convidados (limite de três por empossando).

Bruno Cury de Moraes, Marcelo Pompeo Pimenta Negri, Rodrigo dos Anjos Barroso Mattos e Thiago Queiroz de Brito serão os quatro novos defensores públicos estaduais. Todos já atuaram na Defensoria em algum momento de suas carreiras e apenas Marcelo e Rodrigo são mato-grossenses, de Cuiabá e Nortelândia, respectivamente. Thiago é natural de Teresina (PI) e Bruno de Juiz de Fora (MG).

Todos os aprovados já trabalharam em órgãos públicos, inclusive na Defensoria. Bruno era defensor público no Pará desde 2017, Marcelo atuou como analista jurídico da DPMT em 2016, Rodrigo foi assessor de um defensor em Arenápolis (MT), e Thiago foi estagiário na Defensoria do Piauí.

Com 34 anos, namorando há mais de três anos, sem filhos, Rodrigo nasceu em Nortelândia (148 km de Cuiabá). “Mas minha família é mineira. Atualmente moro em Diamantino e estava exercendo o cargo de procurador do município”, afirmou.

Formado em 2008 pela Uned (União Superior de Diamatino), Mattos foi assessor do defensor público Marcelo Feitosa, em Arenápolis (MT), de 2013 a 2015.

“Nesse momento que me interessei pela Defensoria Pública e me apaixonei pela profissão, pois o defensor trabalha basicamente ajudando as pessoas necessitadas. Mais que uma profissão, trata-se de uma missão”, assegurou.

“Decidi estudar especificamente para o cargo de defensor em 2013. Levei aproximadamente quatro anos para obter êxito neste concurso. Foi muito difícil conseguir o nível de preparação adequada e só consegui porque tive apoio familiar”, frisou.

“Apesar de todas as dificuldades que a Instituição vem enfrentando, tanto em função da falta de recursos orçamentários suficientes quanto pela atual crise sanitária em decorrência do novo coronavírus, é necessário fazer a recomposição da redução do quadro de defensores públicos no Estado de Mato Grosso, ocorrida nos últimos meses em função da saída de alguns membros. Comarcas como Colniza, Juína e São Félix do Araguaia voltarão, enfim, a contar com os serviços da Defensoria”, afirmou Clodoaldo Queiroz, defensor público-geral.

Os aprovados foram selecionados no quinto concurso feito pela Instituição para contratar defensores, homologado em dezembro de 2016 e prorrogado, por mais dois anos, em 2018. As nomeações visam repor a saída de três profissionais e o falecimento da defensora Rejane Masini, em fevereiro de 2020.

O último concurso da Defensoria ofereceu 19 vagas para defensor público e classificou 57 candidatos. Desde a homologação, 44 foram nomeados. Com a posse dos quatro novos, atualmente há 192 defensores públicos atuando em Mato Grosso. Ainda faltam 63 profissionais para completar o número de vagas efetivas (255) para todo o estado.

Sonho profissional realizado – Com idades entre 30 e 36 anos, os quatro nomeados declararam que o cargo de defensor público era o principal objetivo profissional de suas carreiras.

“Parece que a ficha ainda não caiu. A gente às vezes demora para processar. A felicidade é incrível! É o ápice, onde sempre quis chegar. É um lugar que realmente vale a pena todo o esforço empreendido durante todos esses anos”, contou Negri, que é casado e tem três filhos.

Único cuiabano do grupo, formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em 2007, foi estagiário em um escritório de advocacia por dois anos e depois estagiou em órgãos públicos.

Além disso, Marcelo foi técnico do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) por seis anos e analista jurídico da DPMT por um mês, em fevereiro de 2016.

“Naquele ano, passei para defensor aqui. Em 2018, tomei posse como analista do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), onde trabalhei até agora”, explicou.

Negri também exerceu a advocacia em pequenas causas de Juizado Especial, mas sempre almejou o cargo de defensor público. “Do Sistema de Justiça, é uma das carreiras mais importantes, se não a mais importante. Acredito que o defensor público é o ator do Sistema de Justiça que mais faz valer o artigo 3° da Constituição – erradicar a pobreza e todo tipo de desigualdade, sem discriminação de raça, cor etc.”, disse.

Natural de Teresina, capital do Piauí, Thiago encantou-se por Mato Grosso. “Quando eu vim fazer a prova, gostei muito da capital e conheci uma parte do interior, como Nobres, Lago do Manso e gostei da estrutura que o Estado fornece, principalmente a estrutura de trabalho que Defensoria fornece ao defensor público. No meu estado, o defensor público não tinha a estrutura que tem aqui. Esse foi um atrativo que me fez assumir o cargo”, relatou.

Brito disse que sempre almejou o cargo de defensor público, tanto que no início de sua trajetória como concurseiro só fazia concursos para essa vaga.

“Era um sonho ser defensor público. Desde quando estagiei na Defensoria Pública por dois anos, gostava desse contato com o cidadão, principalmente aquele que não tem os recursos mínimos. Passei em algumas fases na Bahia, no Pará, em Pernambuco, aqui. O objetivo era ser defensor em razão da função que exerce, principalmente a parte de tutela coletiva, que pode gerar um benefício para toda a sociedade de forma efetiva”, detalhou.

Brito tem 32 anos, é casado e não tem filhos “ainda”, como ele mesmo enfatizou. Formado pelo Centro de Ensino Unificado de Teresina (CEUT), além de estagiário da Defensoria do Piauí por dois anos na área de execução criminal, foi agente penitenciário por um ano e meio.

“Logo em seguida, passei para analista do Tribunal de Justiça do Piauí. Passei um ano e meio no interior. Posteriormente, fui chamado para trabalhar no Ministério Público Federal (MPF). Fui cedido e passei cinco anos trabalhando como chefe de gabinete de um procurador da República, o que me ajudou a lograr êxito nos meus concursos”, explanou.

Ele conta que também passou para defensor em Alagoas e estava na fase oral para o concurso de promotor na Paraíba, mas desistiu para tomar posse como defensor aqui no Mato Grosso.

Do Pará para Mato Grosso – Caçula da turma, com 30 anos, Bruno já atuava como defensor público no Pará desde agosto de 2017. “Eu já sou defensor, apenas vou mudar de endereço. O assistido se mantém. Acho que caberá a continuidade da dificuldade do defensor público de contar a ‘não história’ de uma pessoa destituída de direitos básicos”, disse.

Formado em 2013, com pós-graduação em Ciências Criminais pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Moraes trabalhou como analista do Ministério Público de São Paulo (MPSP) por dois anos antes de assumir o cargo de defensor público do Pará.

“Tem uma característica muito marcante na minha família: ou sai médico ou sai defensor público. Tem defensor do Rio, de Minas, e a minha prima, alguns anos mais velha, sempre me incentivou bastante a seguir a carreira. Então, acabei virando defensor público”, narrou.

Um defensor de Mato Grosso foi muito importante para a escolha da sua profissão. “O defensor Carlos Eduardo Freitas de Souza, que na época namorava minha prima, foi a figura marcante para que eu fizesse o concurso. Ele me prestigiou bastante, me deu a mão, foi o meu mentor. Se não fosse ele, não estaria aqui”, enfatizou Moraes, que está solteiro e não tem filhos.

Atualmente, Souza está lotado no Núcleo de Defesa do Consumidor, em Cuiabá. “Ser nomeado aqui em Mato Grosso foi muito significativo para mim. Foi um concurso querido, planejado e desejado”, destacou.

Moraes acredita que pode trazer um pouco do seu “know-how” para Mato Grosso. “No Pará, no início implantei uma comarca que tinha três varas judiciais, então eu era um defensor para três. Tive essa experiência bastante dificultosa, com gestão, com município, todas as carreiras do Sistema de Justiça. E o Pará é hoje o 24° IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país. Então, se tem um lugar fértil para um defensor público aprender a defensorar, creio que seja a Defensoria do Pará”, contou.

O defensor relata que trabalhou no chamado Massacre de Altamira, quando 62 detentos foram assassinados no presídio local, em agosto de 2019. O centro de detenção contava com 343 presos na época, sendo que sua capacidade era de 163 detentos. Dos 62 executados, 26 eram detentos provisórios.

“Eu sou o defensor público que faria esse júri dos 62 mortos e outros denunciados. Então, esse meio de campo entre família, condenado, tudo isso a Defensoria somou muito na minha vida. Espero implementar todo esse aperfeiçoamento aqui no Mato Grosso”, detalhou.

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