Home Geral Datação por carbono é recalibrada e deve mudar idade dos fósseis

Datação por carbono é recalibrada e deve mudar idade dos fósseis

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Desde sua criação, em  1960, a datação por radiocarbono é usada para determinar a idade de qualquer coisa, de livros e esqueletos a múmias e marfim traficado. Agora, esse sistema será recalibrado com a inclusão de milhares de dados obtidos desde sua última versão, de 2013.

“Uma nova curva de calibração é de importância fundamental para a compreensão da pré-história e da cronologia dos hominídeos”, diz o cronologista arqueológico e diretor da Unidade de Acelerador de Radiocarbono de Oxford, Tom Higham.

Esse ajuste está sendo feito não apenas para melhor entender o passado, mas para compensar o presente, que hoje despeja bilhões de toneladas de carbono no meio ambiente. A queima de combustíveis fósseis e os testes de bombas nucleares mudaram radicalmente a quantidade de carbono-14 no ar.

Poluição altera o equilíbrio

Quase 99% de todo o carbono da Terra está na forma de seu isótopo com 12 nêutrons em seu núcleo; o carbono-12 é a forma mais estável do elemento. A técnica de datação por radiocarbono mede a presença de um isótopo instável e por isso, muito mais raro: o carbono-14 que, na natureza, é produzido a uma taxa constante na atmosfera superior da Terra.

Quando uma planta ou um animal morre, para de absorver esse isótopo, e o que foi acumulado começa a decair. Medir a quantidade restante fornece uma estimativa de há quanto tempo algo morreu.

O problema é que a humanidade, principalmente nas últimas décadas, tem lançado na atmosfera o carbono de combustíveis fósseis, que não têm mais uma quantidade mensurável de carbono-14. O resultado é que bilhões de toneladas de carbono-12 artificialmente postas na balança estão arruinando a proporção constante entre os dois isótopos.

Árvores guardam um calendário confiável

Para produzir uma curva que possa ser usada para relacionar anos do calendário com os determinados pelo radiocarbono, é necessária uma sequência de amostras com data seguramente conhecida, como os anéis no tronco de uma árvore. Os cientistas usam esse método combinado com informações de sedimentos de lagos e oceanos, corais e estalagmites para calibrar o sistema.

Desde 1998 é usada o sistema IntCal (IntCal98), que já sofreu três atualizações: em 2004, 2009 e 2013. Agora, está sendo lançada a versão 2020, com as novas curvas para os hemisfério Norte (IntCal20) e sul (SHCal20) e mais para amostras marinhas (MarineCal20).

Mais velho, mais jovem

A IntCal20 é baseada em 12.904 pontos de dados, quase o dobro do tamanho do conjunto de dados de 2013. Isso tornou, por exemplo, mais acurada a datação de um maxilar do Homo sapiens encontrado em 2002 na Pe?tera cu Oase (Ou a Caverna com Ossos), na Romênia.

Ali foram escavados os restos mais antigos de humanos modernos (entre 35 e 40 milhares de anos). A idade do exemplar denominado Oase 1 foi reavaliada pela nova curva; ele é centenas de anos mais velho do que se pensava. Análises genéticas ainda revelaram que ele tinha um ancestral neandertal, distante de quatro a seis gerações.

“Isso significa que, quanto mais antigo o Oase 1 é, mais neandertais andavam pela Europa”, explica  Higham. Em contrapartida, o adolescente cujos fósseis foram desenterrados na Sibéria viveu mil anos à frente do que se pensava e isso, segundo o cronólogo, muda a história da chegada dos humanos modernos na Sibéria.

Tecmundo

 

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