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Cientista social cria biojoias e quadros com partes de insetos e plantas mortas em MT

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Lorraynne Alves Pereira confecciona colares, brincos, pingentes, chaveiros e quadros.

Uma cientista social cria artesanato a partir de material orgânico de seres vivos mortos. Lorraynne Alves Pereira, de 26 anos, faz biojoias e objetos de decoração com partes de insetos e plantas mortas, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá.

Lorraynne disse ao G1 que os animais são encontrados mortos na natureza. Ela costuma ir até cachoeiras, rio e procurar os bichinhos no mato. Amigos e familiares que conhecem o trabalho dela também doam insetos mortos.

“Todos já acho sem vida. Recebo bastante doações também de pessoas que sabem que eu trabalho com isso e quando vão achando bichinhos vão guardando pra mim. Tudo livre de crueldade”, afirmou a artesã.

Os acessórios são colares, brincos, pingentes, chaveiros e quadros. A maior parte do trabalho é feito sob encomenda e, às vezes, ela faz algum trabalho como projeto pessoal.

As peças são fabricadas com partes diversas dos seres vivos, como asas de cigarra, borboletas, pelos de gato, folhas, flores e pimenta, libélula, lagartixa, entre outros. Os objetos têm um valor entre R$ 20 e R$ 100 e são todos feitos à mão.

Sobre como aprendeu, ela contou que ficou cerca de um ano aprendendo a fazer as peças em resina. A ideia surgiu a partir da internet e o namorado que mostrou algumas peças a ela.

O processo de produção começa na coleta da matéria prima, como flores, folhas e os bichinhos que recebe das pessoas. O segundo passo é a secagem da matéria morta, pois o contato com a resina deve ser feita com o material totalmente seco.

Após a coleta e a secagem, a artesão faz a resinagem, curação e o acabamento, respectivamente. No processo, ela também compõe como a matéria prima vai ficar por dentro da peça e algumas é realizado a pré-moldagem.

Na finalização da peça pronta é feita o polimento. No caso das borboletas, o trabalho é feito um pouco diferente, mas não distanciando do processo da maioria dos artesanatos criados por ela.

Lophophora é o nome da marca de biojoias criada por ela. A produção dos acessórios é a fonte de renda principal de Lorraynne e ela pretende investir no empreendimento.

Sobre o conceito das peças e se representam algo especial principalmente pelo fato dos amuletos e por serem obras criadas com seres mortos, ela disse que tem um toque diferente.

“Eu sou meio suspeita para falar, pois nem me refiro como biojoias, porque cada coisa é tão única e tem um valor especial. Às vezes podem surgir encomendas que ultrapassam esse conceito. Feito a mão e criar do zero já é especial e ter um elemento natural traz mais vida e significado” explicou Lorrayne.

Para divulgar o trabalho, ela costuma fazer fotos bem elaboradas e conceituais dos acessórios e posta na página da marca no Instagram.

Lorraynne voltou para o estado há cerca de quatro anos e começou fazer as biojoias há dois anos. Ela está a procura de trabalho na área de formação mas continua fazendo os acessórios sob encomenda.

A artesã voltou a estudar e está na segunda faculdade. Como cientista social é formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

G1

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