Home Esportes Autor de protesto pela morte de George Floyd, Marcus Thuram herdou do...

Autor de protesto pela morte de George Floyd, Marcus Thuram herdou do pai, Lilian Thuram, a luta antirracista

0

Campeão mundial com a França em 1998 e ícone na luta contra o racismo, o ex-defensor passou seu legado na batalha contra a discriminação para o filho, atacante do Borussia Mönchengladbach

O assassinato de George Floyd, homem negro asfixiado por um policial branco na última segunda, eclodiu em uma série de protestos em todo o mundo contra a violência policial à população negra. Personalidades do esporte também reagiram, e o futebol não ficou fora da história. No domingo, Marcus Thuram, do Borussia Mönchengladbach, foi um dos que se manifestaram. E a luta antirracista do jovem francês vem de berço.

Marcus é filho de Lilian Thuram, lenda de Juventus e Barcelona, campeão mundial com a França em 1998 e ícone do combate ao racismo, especialmente quando o assunto é o mundo do futebol.

Lilian é um dos nomes mais fortes na luta antirracista dentro do universo futebolístico. Engajado com o tema, o ex-jogador já criticou diversos personagens por conta de seus posicionamentos, desde Nicolas Sarkozy, no episódio em que o então ministro do Interior da França visitou uma região periférica e chamou manifestantes de “marginais”, até Pelé, a quem acusa de omissão na causa da população negra.

O ex-jogador também criou a Fundação Lilian Thuram de Educação contra o Racismo. Em atividade desde 2009, a instituição usa abordagem pedagógica e cultural, além de apoiar manifestações contra as discriminações e a favor dos direitos humanos.

Como era de se esperar, a luta de Lilian Thuram foi passada de pai para filho. Em entrevista à AFP, Marcus destacou seu interesse pela questão racial.

– É claro que, por ser um jovem jogador negro, isso (o racismo) me preocupa. É necessário lutar, e tenho muito orgulho do que meu pai fez para evoluir as coisas. Não fui vítima pessoalmente do racismo no futebol, mas somos testemunhas pelas redes sociais e quando vemos jogos na televisão – disse Marcus.

Apesar de nunca ter sofrido racismo em campo, Marcus já foi alvo de discriminação em um episódio que marcou Lilian. À imprensa francesa, ele contou que um colega de escola disse ao jovem que “matemática era mais difícil para os negros”.

– O fato de Marcus chegar em casa e me contar isso quer dizer que ele não ficou traumatizado, porque eu já tinha dito: “talvez você encontre pessoas na sua vida que vão duvidar da sua capacidade por conta da cor da sua pele. É importante saber que isso não é verdade”.

O posicionamento antirracista e a ascendência lendária no futebol não resumem a carreira de Marcus Thuram. O jovem de 22 anos participou de 18 gols do Borussia Mönchengladbach na temporada 2019/2020 do Campeonato Alemão – ele anotou 10 e deu assistência para outros oito.

Com convocações para as seleções de base da França desde 2014, o atacante foi revelado pelo Sochaux e estreou na Ligue 2 em 2015. Em 2017, migrou para o Guingamp, onde disputou a elite do futebol francês. Marcus foi um destaques da vitória da equipe sobre o PSG nas quartas da Copa da Liga Francesa 2018/2019. Ele sofreu pênalti nos acréscimos, converteu a cobrança e virou o herói da classificação com a vitória por 2 a 1.

Em sua primeira temporada na Bundesliga, Marcus foi eleito o novato do mês em setembro, outubro e novembro, perdendo o posto para ninguém menos que o “cometa” Haaland. O atacante ajuda a equipe, terceira na tabela do Campeonato Alemão, com 56 pontos, a brigar por uma vaga na Liga dos Campeões.

Na última partida, trocou a comemoração em seu primeiro gol na vitória do Gladbach sobre o Union Berlin pela manifestação antirracista. Ficou de joelhos no gramado em protestou contra a violência policial à população negra, tema que ganhou os noticiários do mundo após o assassinato de George Floyd, um homem negro asfixiado por um policial branco em Minnesotta, nos EUA.

O gesto de ficar de joelhos ganhou notoriedade a partir de 2016, quando o quarterback da NFL Colin Kaepernick se ajoelhou durante a execução do hino nacional americano, em protesto contra a opressão racial no país.

Em entrevista ao site “Onze Mondial”, o atacante escolheu “hakuna matata” como uma frase que o define. No idioma suaíli, falado em países como Quênia, República Democrática do Congo, Tanzânia e Uganda, a tradução seria algo como “sem problemas”. Muito popular no Brasil e no mundo por conta do filme “O Rei Leão”, de 1994, a canção homônima, na versão brasileira, tem um trecho que diz: “os seus problemas, você deve esquecer”. Quando o assunto é racismo, o jogador prefere deixar de lado essa filosofia de vida.

– Dada a minha personalidade, eu não sairia de campo, como alguns fariam. Eu ignoraria. Depois, diria que isso que aconteceu prova que a estupidez humana é grande. Quando se é um jogador de futebol, você é visto. Somos as pessoas certas para falar sobre isso e pregar a palavra. O racismo deveria ser proibido. É isso que meu pai diz, e eu estou 100% de acordo com ele – disse ao “Onze Mondial”.

Globo Esporte

NENHUM COMENTÁRIO

Deixe sua resposta