Home Destaque Pró-intervenção, caminhoneiro é ferido e se diz decepcionado com Exército – ouça

Pró-intervenção, caminhoneiro é ferido e se diz decepcionado com Exército – ouça

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O caminhoneiro Carlos Augusto Mantela, um dos feridos durante conflito entre manifestantes e o Exército no final da tarde desta terça (29) no Distrito Industrial, em Cuiabá, se diz desapontado com os militares. Isso porque ele é um dos que defendiam a queda do presidente da República Michel Temer e que houvesse intervenção no país. “A decepção é tão grande que vou precisar de horas para poder entrar no meu caminhão e continuar minha jornada”, disse ao .

Caminhoneiro há 36 anos, ele foi ferido por um disparo de bala de borracha. “Nosso sonho era tirar esse governo corrupto que nada tem feito para a nação. Estamos aqui há 10 dias é muito sofrimento e até agora nada foi resolvido”, reclama. O motorista, bastante abalado, aceitou dar entrevista, mas não permitiu que fosse fotografado.

De acordo com Mantela, o grupo esperava que os militares apoiassem o movimento intervencionista, mas, o que ele vivenciou foi o oposto. “Eles chegaram aqui escoltando alguns veículos, dissemos que estamos no movimento, mas eles não deram conversa nenhuma, foram jogando spray de pimenta e atirando. Vários tiros na população que se encontra na beira da pista”, revelou magoado.

Ontem, após bloqueio da pista, as forças federais passaram a utilizar gás lacrimogêneo e balas de borracha para liberar a rodovia. Manifestantes chegaram a cantar o hino nacional pouco antes da ação mais forte do Exército e PRF.

O caminhoneiro não admite que o grupo deixará de pedir a intervenção militar, mas questiona a utilidade do Exército. “O sonho de todo brasileiro é se sentir apoiado. Se o governo não está bem podemos mostrar nossa insatisfação para o exército tomar alguma atitude, mas dessa vez parece que não tá dando certo, eles não aparecem e quando aparecem agridem a gente”, avalia.

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Decepcionado, ele diz que a população está refém da situação e que não tem mais o que fazer ou a quem recorrer. “Esse país tem tudo para ser o mais rico do mundo, mas vamos ter que continuar de cabeça baixa, sendo lesados por corruptos que estão no poder e o Exército não aparece. Para que o Exército brasileiro serve?”.

Apesar dos relatos, o superintendente da PRF Aristóteles Cadidé nega que houve confronto nas ações. “Houve apenas uso de força moderada”, ressalta. Ainda segundo ele, o grupo radical era pequeno e a atuação do exército foi rápida.

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