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Prefeito de Verona também nega racismo contra Balotelli, que é defendido por jornal

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Federico Sboarina diz que estava em estádio e não ouviu nada, reclamando de repercussão de polêmica para a cidade. "Gazzetta" publica editorial citando astro como "verdadeiro italiano"

As manifestações racistas contra Balotelli, que não escondeu sua irritação no duelo contra o Verona, no último domingo, seguem dividindo opiniões na Itália. Depois de o treinador do Verona e uma série de torcedores alegarem que não houve preconceito contra o atacante, foi a vez do prefeito da cidade negar que fãs tenham proferido gritos racistas em um setor do estádio Marc’Antonio Bentegodi.

– Parece que uma sentença já foi escrita na pedra. Objetivamente, o que aconteceu com nossa cidade é inaceitável. Eu reitero: estava no estádio, e todos ficaram atônitos quando Balotelli chutou a bola para fora. Ninguém pôde explicar isto. Portanto, pode-se presumir que não existiu (racismo), pois não havia cantos racistas no estádio. Uma torcida e uma cidade estão sendo expostos à vergonha – disse Federico Sboarina à agência ANSA.

O prefeito de Verona apenas endossou o que havia sido dito pelos próprios ultras – grupo de torcedores mais radicais – do clube e também pelo técnico da equipe, Ivan Juric, que apontou em sua entrevista coletiva após a partida que apenas houve “muita vaia e provocação” ao atacante do Brescia.

No episódio do último domingo, Balotelli reagiu tentando abandonar a partida, revoltado com as manifestações dos fãs do Verona. Símbolo da luta contra o racismo na Itália, o atacante se viu novamente envolvido em uma discussão da sociedade do país quanto à sua presença na seleção nacional.

Apesar de ter disputado 36 partidas com a camisa da Azzurra, o jogador de 29 anos ainda não é visto com bons-olhos por alguns torcedores por ter pais de origem ganesa – mesmo tendo nascido no país europeu. E a “Gazzetta dello Sport” – principal diário esportivo da Itália – decidiu estampar tal polêmica em sua capa nesta terça, publicando um editorial a favor de Balotelli, chamando-o de “verdadeiro italiano”.

Segundo o destaque da “Gazzetta”, “o racismo no estádio” vem dividindo o país. O editorial intitulado “Você usaria a palavra ‘negro'”? indica que a bola chutada por Balotelli em direção às arquibancadas no domingo “passou pelas paredes do (estádio) Bentegodi e agora chega às praças da Itália”.

O episódio em Verona pode ser alvo de punição por parte da Justiça desportiva da Itália – a decisão estaria nas mãos do juiz Gerardo Mastrandrea, segundo a “Gazzetta”. Uma possível pena poderia ser divulgada nesta terça. O jornal também indica que é difícil que não haja nenhum tipo de punição, uma vez que o jogo foi interrompido e houve o anúncio nos alto-falantes, como manda o protocolo.

O Verona pode ser punido com fechamento de parte do estádio na próxima partida ou até mesmo atuar com os portões fechados, mas também pode apenas levar uma multa e ser convocado a ajudar na identificação dos torcedores preconceituosos. Segundo a imprensa italiana, o inspetor responsável por observar o comportamento dos ultras do Verona escreveu em seu relatório que os fãs que gritaram contra Balotelli “tinham apenas quinze anos”, e que os próprios ultras puxaram aplausos para o atacante.

Globo Esporte

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