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Morte de aluno após treinamento do Corpo de Bombeiros em MT completa 3 anos e família pede Justiça: ‘Clima de tristeza’

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Rodrigo Claro morreu no dia 15 de novembro de 2016, após passar mal em uma aula prática na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Ninguém está preso pela morte do jovem.

A morte do aluno Rodrigo Claro, em Cuiabá, está completando três anos nesta sexta-feira (15) e ainda ninguém foi preso pela morte do jovem, que participava de uma aula prática, quando passou mal. A família afirmou que ainda espera por justiça.

Segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) a tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps, que era a instrutora do curso, usou de meios abusivos de natureza física e de natureza mental. A Justiça investiga se houve abusos por parte dos instrutores do curso de formação.

O G1 não conseguiu contato com a defesa da tenente. No dia 3 deste mês, durante audiência, a defessa de Ledur afirmou à reportagem que só vai se manifestar depois do depoimento da tenente.

O pai de Rodrigo, Antônio Claro, contou ao G1 que, desde a morte do filho, todos os anos a família celebra uma missa em memória dele, como forma de homenageá-lo.

“Lembramos de Rodrigo com alegria, pois foi isso que ele deixou para nós. Ainda acreditamos que a justiça será feita, mas se a justiça humana falhar, acreditamos que a ré terá que se entender com Deus, afinal, quem somos nós para jugá-la?”, ressaltou.

A missa em memória de Rodrigo será celebrada no domingo (17), às 8h, na Capela São Sebastião, no Bairro Camp Club, em Sinop, a 503 km de Cuiabá, onde mora a família.

“Novembro é muito triste para nós. Tem o dia de finados que sempre o visitamos no cemitério, tem o dia 10 que foi quando tudo ocorreu e dia 15, que foi registrada a morte dele. Apesar de lembrarmos dele com alegria, a família continua muito abalada”, declarou o pai.

A morte de Rodrigo

Rodrigo morreu no dia 15 de novembro de 2016, após passar mal em uma aula prática na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, na qual a tenente Izadora Ledur atuava como instrutora.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual, Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre e outros exercícios.

Ainda segundo o órgão, depoimentos durante a investigação apontam que ele foi submetido a intenso sofrimento físico e mental com uso de violência. A atitude, segundo o MPE, teria sido a forma utilizada pela tenente para punir o aluno pelo mal desempenho.

Durante a realização das aulas, Rodrigo queixou-se de dor de cabeça. Após a travessia a nado na lagoa, ele informou o instrutor que não conseguiria terminar a aula.

Em seguida, segundo os bombeiros, ele foi liberado e retornou ao batalhão e se apresentou à coordenação do curso para relatar o problema de saúde. O jovem foi encaminhado a uma unidade de saúde e sofreu convulsões.

Mensagem à mãe

Antes do treinamento, o jovem conversou com a mãe dele por um aplicativo de conversas e disse que estava com medo do que poderia acontecer.

“A tenente está pegando no meu pé. Hoje ela vai ta lá, por isso fico com medo”, diz trecho da conversa.

Horas depois, Rodrigo voltou a falar com a mãe e mandou a última mensagem antes de ser internado em coma.

“Não consegui. Estou mal. Vou para a coordenação”, diz mensagem.

Tenente Ledur

A tenente responde criminalmente pela morte do aluno e ficou monitorada por tornozeleira eletrônica por três meses. No entanto, em outubro de 2017, conseguiu na justiça o direito de retirar o equipamento.

A denúncia do MPE, diz que Ledur utilizou meios impróprios durante o treinamento com o aluno como “caldos” e afogamentos. Além disso, ela teria ameaçado desligar Rodrigo do curso.

No dia 3 deste mês, duas testemunhas de defesa de Ledur, foram ouvidas pelo juiz da Vara Criminal da Justiça Militar Marcos Faleiros.

A primeira testemunha ouvida foi o médico legista Dionísio Andreoni, que assinou o laudo que atesta que um Acidente Vascular Cerebral (AVC) foi a causa da morte de Rodrigo.

O médico disse que é provável que Rodrigo já tivesse má formação no cérebro, o que teria causado o AVC.

Em contrapartida, a mãe de Rodrigo, Jane Claro, afirmou que o filho era saudável e nenhum exame anterior detectou a má formação.

Também foi ouvido durante a audiência o capitão do Corpo de Bombeiros Janislei Teodoro Silva. Ele foi comandante de pelotão da turma anterior à de Rodrigo onde um aluno desistiu do curso alegando abuso nos treinamentos comandados pela tenente Ledur.

O capitão afirmou durante o depoimento que nunca presenciou práticas abusivas por parte da tenente.

A próxima audiência foi marcada para o dia 12 de março de 2020. Nessa audiência, serão ouvidas a ré Ledur e uma testemunha de defesa dela.

Em seguida, será aberto um prazo para que o Ministério Público e a defesa possam pedir diligências. A expectativa é de que o julgamento aconteça ainda no primeiro semestre do ano que vem.

G1

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