Home Mídia Digital Justiça condena PM acusado de abusar sexualmente de alunas em escola militar

Justiça condena PM acusado de abusar sexualmente de alunas em escola militar

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O subtenente da Polícia Militar Alecssandro Leandro da Silva, ex-coordenador do Colégio Tiradentes, em Cuiabá, foi condenado a quatro anos e nove meses de prisão pela acusação de assédio sexual contra alunas. A decisão de 5 de dezembro foi proferida pelo juiz Wladys Roberto do Amaral, da 11ª Vara Criminal da Justiça Militar.

 A denúncia foi aceita em novembro passado, após o subtenente ter sido preso. No entanto, o condenado poderá recorrer da decisão em liberdade. Conforme a denúncia do Ministério Público, em 2015, usando seu cargo, Alecssandro escolhia a vítima (menina e menor de idade) e passava a enviar mensagens com conotação sexual por meio de aplicativo de celular.Em outras ocasiões, o subtenente determinava que alunas fossem até uma sala, onde se aproveitava e abusava sexualmente delas, acariciando a partes íntimas das menores.

Conforme a ação, uma menor relatou ter ido até a sala do abusador para tratar de algum assunto. Na época, ele teria lhe abraçado a erguendo e passando a mão em suas nádegas. O caso foi confirmado pela outra vítima, que disse ter ouvido o ocorrido pela própria amiga.

A vítima ainda apresentou algumas páginas com os prints das conversas trocadas com o acusado, sendo que, em alguns trechos das conversas, restaram nítidos os elementos que comprovam os atos do subtenente.

“Não vou nem chegar perto… três coisas perigosas juntas hoje: você, agasalho, cabelo solto, igual sub preso”, diz trecho da conversa.

Em outro trecho, segundo a ação, constatou-se que o acusado tinha plena ciência de que estava sendo observado de perto, após relatar outro fato de abuso sexual no interior do colégio.

A outro menor também relatou que quando estava no 9º ano, em 2015, o denunciado lhe enviou mensagem pelo celular dizendo que ela era linda e que era uma das alunas mais bonitas da escola. Alecssandro também teria lhe abraçado e passado a mão em seu corpo, acariciando entre as pernas. No momento a garota diz ter entrado em choque, tendo o próprio acusado pedido para que ela se retirasse do local, “caso contrário ele cometeria algo de que iria se arrepender”.

Após a segunda vítima relator o fato ao pai, a mãe foi até a escola, sendo ameaçada pelo então coordenador. “Eu sei onde a senhora e sua família moram e eu passo lá em frente direto”. Tal fala, de acordo com a denúncia, teria feito com que a mãe pedisse à encarregada do inquérito policial militar para não constar o fato no termo, por receio do acusado.

Comprovação

Na decisão, o magistrado relatou não ter ficado comprovado que o subtenente tenha cometido o crime de ameaça à mãe de uma das garotas vítimas do abuso. Em depoimento, a genitora nega ter se sentido intimidada com as palavras de Alecssandro.

Em seguida, Wladys afirma que o crime de atentado violento ao pudor ficou comprovado, por meio do boletim de ocorrência, prints das conversas mantidas, assim como pelas declarações das vítimas.

Na decisão, o magistrado relatou que durante depoimento uma menor asseverou que o réu lhe enviava mensagens durante a noite, sendo que, em algumas ocasiões, pedia para que ela apagasse os textos dizendo que “o que é da noite fica na noite”. Relatou que o acusado, por meio das mensagens, lhe falava da vida dele, de sentimentos, bem como que tinha sonhos eróticos com ela.

Ela ainda lembrou que começou a namorar um garoto e se afastou do réu, mas ele passou a lhe importunar ainda mais, tendo se encorajado e relatado os fatos à mãe.

Wladys declara que mesmo o réu tendo negado a autoria dos crimes, “afirmando que nunca passou a mão nas partes íntimas das vítimas”, o conjunto probatório existente nos autos, especialmente os depoimentos testemunhais mencionados e as declarações das vítimas, apontam conclusão em sentido contrário.

Fonte: RDnews

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