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Julgamento de 5 militares acusados de participação em grampos é retomado nesta quinta-feira em MT

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Coronel Zaqueu Barbosa se emocionou durante a argumentação da defesa dele. A previsão é ouvir as defesas de Zaqueu, Lesco, Ronelson e Gerson Corrêa, já que no primeiro dia a única defesa ouvida foi a de Januário.

O segundo dia do julgamento dos coronéis da Polícia Militar Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco e Ronelson Barros, o tenente-coronel Januário Batista e o cabo Gerson Corrêa Júnior teve início na manhã desta quinta-feira (7), na 11ª Vara Criminal Especializada Justiça Militar, em Cuiabá.

Os julgamentos são relacionados ao Inquérito Policial Militar, que apura os supostos crimes militares cometidos pelos PMs. Já o inquérito civil ainda está em curso, na Polícia Civil, e também inclui Pedro Taques, o primo dele, Paulo Taques e outras cinco pessoas.

Os militares acusados de participar de um esquema que grampeou centenas de pessoas, entre elas políticos e jornalistas.

Nesta quinta-feira, o julgamento foi retomado com a defesa do coronel Zaqueu. A advogada Cibelia Maria Lente Menezes enalteceu a carreira do coronel que passou pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), pelo Grupo Especial de Fronteira (GEFron) e foi comandante-geral da Polícia Militar.

A advogada ainda ressaltou durante a audiência que é muito contraditório quando reconhece que a escuta é clandestina e a usa para condenar. “Se a prova é ilegal ela não se presta a ter fim”, disse.

Zaqueu se emocionou durante a argumentação da defesa dele.

“Chorei junto com o coronel Zaqueu quando ele recebeu uma mensagem do filho dele dizendo: Pai, aconteça o que acontecer você sempre será meu espelho”, contou Cibelia.

Cibelia também argumentou sobre as acusações contra o coronel, como movimentação de tropa para trabalhar a serviço dos grampos. Segundo ela, isso não aconteceu.

O advogado Francisco de Assis Monteiro Rocha, também de defesa do coronel, disse que o réu confessou a participação nos grampos, entretanto, argumentou que foi seduzido por um político que tem poder de persuasão para participar do esquema.

“O coronel Zaqueu foi seduzido nesse projeto. Ele já tinha sido chamado para ser o 01 no comando da PM, mas aquele discurso de combate à corrupção o seduziu”, ressaltou.

Francisco requereu a absolvição do coronel Zaquel por não existir provas de que ele tenha cometido ação militar ilícita, falsidade ideológica e falsidade de documento.

“Faltam argumentos do ministério publico na acusação. E na falta de argumentos jurídicos foram trazidos argumentos morais”, pontuou.

O advogado também pediu a desqualificação da denúncia, considerando apenas o crime que Zaqueu confessou, que é de ter participado das escutas ilegais. “Podemos chegar ao perdão judicial ou no mínimo redução de dois terços da pena”, disse.

A previsão para esta quinta-feira é ouvir as defesas dos militares Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco, Ronelson Barros e Gerson Corrêa. No primeiro dia, a única defesa ouvida foi a de Januário.

Primeiro dia de julgamento

O primeiro dia foi aberto pelo promotor Alan Sidney do Ó, que falou por três horas. Também teve as conclusões do Ministério Público e, após um intervalo, foi ouvida a defesa do tenente-coronel do Januário.

O promotor Alan Sidney do Ó, que representa a acusação, abriu o debate dizendo que estava diante de um escritório de arapongagem.

A explanação do promotor seguiu depois da intervenção do juiz Marcos Faleiros, e Alan Sidney apontou algumas informações que concluiu, como por exemplo, de que os coronéis Lesco, Zaqueu e o cabo Gerson “não preencheram os requisitos para merecer perdão judicial ou benefício da justiça militar”.

Já sobre o tenente-coronel Januário e o coronel Ronelson ele afirmou que por falta de provas eles devem ser absolvidos.

Alan disse ainda que não pode afirmar, mas que não descarta a possibilidade do ex-governador Pedro Taques (PSDB) ter sido eleito para o cargo com o apoio desse esquema de interceptações clandestinas, que vigorou entre 2014 e 2015 e foi operado pela Polícia Militar. Pedro Taques não é réu.

“Se não fosse esse nefasto escritório o então candidato não seria governador? Não disse isso. Mas estou dizendo que não descarto essa possibilidade”, declarou.

O advogado do ex-governador Pedro Taques, Emanuel Figueiredo, compareceu à Vara, mas não ficou no julgamento.

Emanuel afirmou que Zaqueu disse na força-tarefa que Pedro Taques mandou destruir provas, mas não manteve a versão à Justiça Militar e que, na opinião dele, a audiência de julgamento deveria ser suspensa.

Investigações

Neste ano, depois que o ex-governador perdeu o foro, os demais processos da Grampolândia Pantaneira, como ficou conhecido o esquema, que estavam no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, foram remetidos de volta a Mato Grosso.

Pedro Taques disse, em nota, que quer ser ouvido para que sejam esclarecidas algumas dúvidas sobre esse esquema.

“Quero expressar meu respeito ao MP, mas, dentre as atribuições constitucionais do MP, não se encontra a de fazer adivinhações políticas/eleitorais. Os militares que teriam participado da grampolândia, teriam porquê ainda não foram condenados pelo Poder Judiciário, todos trabalharam no MPE e, nem por isso, e só por isso, posso afirmar que teriam feito algo de errado”, disse.

No total, foram nove inquéritos. Desses, sete estão atualmente com a Polícia Civil. Um está no tribunal de justiça por suposto envolvimento de magistrados e outro na Procuradoria Geral de Justiça, por supostamente envolver membros do Ministério Público.

Além dos presos no inquérito policial militar, outras pessoas também chegaram a ser presas ao longo das investigações da Polícia Civil. São elas: os ex-secretários Paulo Taques, da Casa Civil; Rogers Jarbas, da Segurança Pública; coronel Airton Siqueira Junior, da Justiça e Direitos Humanos, além do sargento João Ricardo Soler, o major Michel Ferronato e da personal trainer Helen Christy Lesco, mulher de Evandro Lesco. Eles são acusados de obstrução à Justiça.

Os telefones de jornalistas, advogados, políticos e médicos, entre outros, foram incluídos numa investigação conduzida pelo Núcleo de Inteligência da PM sobre policiais militares que estariam envolvidos com tráfico de drogas.

Os pedidos para inclusão dos números foram feitos à Justiça pelo cabo Gerson Luiz Ferreira Correa Junior, de 32 anos, que seria parte da Inteligência da PM. Atualmente ele está lotado na Casa Militar de Mato Grosso, após ser transferido do Gaeco (Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Estado, em junho de 2016.

G1

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