Home É Direito Juiz federal condena piloto cuiabano que vinculou fazenda de ministro a drogas

Juiz federal condena piloto cuiabano que vinculou fazenda de ministro a drogas

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O piloto cuiabano Apoena Índio do Brasil Siqueira Rocha foi condenado pelos crimes de tráfico internacional de drogas e contra o sistema aéreo, a 18 anos e 10 meses de prisão, em regime fechado. A decisão é do juiz federal, Manoel Pedro Martins de Castro filho, e foi proferida no último dia 12.

Apoena segue preso em Goiás, mas o nome do presídio não foi divulgado. Ele foi interceptado por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) em 26 de junho do ano passado, com 634 kg de cocaína, juntamente com o réu, co-piloto Fabiano  Júnior da Silva Tomé.

“Conforme já ressaltado, restou indicada a prática de crimes federais, com atingimento de serviços de controle de voos e da segurança das fronteiras, realizados pela Força Aérea Brasileira. Logo, serviços e interesses da União foram diretamente afetados”, ressalta o magistrado.

Na época, a primeira informação da FAB, baseada em diálogo com pilotos, era de que o abate da aeronave tinha sido na região de Aragarças (GO) e que o avião havia decolado da fazenda Itamarati Norte, em Campo Novo do Parecis, de propriedade do ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), com destino a Santo Antônio Leverger. O fato foi desmentido pelo piloto durante depoimento em 28 de junho, em Goiás.

Conforme Apoena, ele receberia R$ 90 mil pelo transporte de 634 kg de cocaína, avaliada em R$ 13 milhões, da Bolívia até o Brasil. Disse que mentiu o plano tanto da ida quanto da volta. A ida colocou de Cuiabá até a Fazenda Tucunaré, situada próxima a Sapezal. O plano de voo da volta colocou Fazenda Itamarati.

No depoimento, o piloto conta que Fabiano disse que o avião era de sua propriedade, o qual tinha sido comprado no Pará, e que esta foi a primeira vez que realizou tráfico de drogas.

O juiz pondera que o acervo probatório demonstrou que o acusado realizou dois planos de voo diversos do que havia registrado junto ao órgão controlador e, em seguida, desobedeceu à ordem para pouso, provocando disparos pelo piloto do caça da Força Aérea Brasileira.

“Realizou pouso forçado que destruiu a aeronave, tudo com vistas a assegurar a execução ou a impunidade do tráfico, pelo qual receberia R$ 90 mil, sendo impositiva a condenação. Além disso, expôs a perigo o avião própriao ou alheio e também praticar qualquer ato tendente a dificultar a navegação aérea”, traz a decisão.

Prisão

A Polícia Federal prendeu, em 26 de junho , o piloto e o co-piloto do avião bimotor interceptado pela FAB, no fim de semana, com 634 kg de cocaína, em Jussara, na região Noroeste de Goiás.

Os dois ocupantes da aeronave disseram à PF que trouxeram a droga da Bolívia e que, ao contrário do que a FAB divulgou, não estiveram na fazenda Itamarati Norte, em Mato Grosso, arrendada para a empresa Amaggi, da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP). No dia 27, em postagem no Facebook, Blairo diz ter sido lamentável ter passado por um vexame público desnecessário, e agradeceu o apoio dado a ele e à Amaggi neste período.

 

RDnews

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