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Hotel apresenta filme sobre amor e publicidade via digital signage

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Pixel-Header2O W Atlanta-Downtown é mais que um hotel. E por ser considerado “mais” – seja por quem o frequenta, seja por quem sonha frequentá-lo um dia – o hotel também é chamado de “templo”; sim, porque Ele ultrapassa qualquer adjetivação, seja em que idioma for (principalmente no húngaro, “que é a única língua que o diabo respeita”, segundo folclore buarqueano de Budapeste).

Ou talvez não seja tão folclórica essa “indizível” palavra que se concretiza fisicamente quando nos deparamos frente ao “monumento” situado em Atlanta (capital da Geórgia, EUA), no centro da agitada vida noturna da cidade, e próximo de pontos turísticos maravilhosos como o Georgia Aquarium, o Centennial Olympic Park e o Georgia Dome…Enfim, é quando o “luxo” chega ao mais extremo de sua essência, de seu sentido anímico dentro do signo, no qual o significante é o próprio W Atlanta-Downtown, com sua edificação ostensiva, faustosa – o símbolo mais que perfeito do que se pode traduzir “completude”.

Mas faltava algo. Sim, sempre falta algo, mesmo porque a “completude” nunca será inteira desde os idos de um Zeus delatado no banquete de Platão. Mas nos tempos atuais, tudo o que “falta” pode se encontrar, até facilmente, quando a necessidade se alia ao poder conjugado em cifras. É quando tudo se faz, palpável, comprável, possível, e esse “tudo” se relativiza num suave e capcioso suturar do talho da alma, vicissitude inconsútil que encontra na “posse” sua mais dolosa comissura. E nunca usura, mas a imprescindível ablação da falta, a urgente elisão da míngua. E a completude se reinventa, desatenta de sua própria exatidão, mas aliada à bênção da irrefreável tecnologia que move a máquina do mundo contemporâneo. Logo…

No princípio a Tecnologia criou o digital signage, as mídias e as telas. E até que demorou para o W Atlanta-Downtown descobrir que o digital signage supriria o que faltava; e o que faltava, até então, era envolver as pessoas e os clientes ainda mais, sempre mais, porém de uma forma única, ímpar, particular, sui generis… E Fiat Lux! Chamaram Felipe Barral para a capital campanha.

Felipe Barral é “artista, músico, cineasta, produtor, diretor e escritor”, ainda pouco conhecido no Brasil – e também na internet, na qual há poucas referências sobre seus geniais trabalhos –, e a ele foi entregue a tarefa de se criar um filme publicitário, a ser exibido em um outdoor “ao lado” do edifício do Hotel W Atlanta-Downtown – sim, “ao lado” porque se na frente ou em cima, decerto, a tela laivaria a basílica hoteleira.

Batizado “Pixel”, esse filme é composto por 13 diferentes vídeos – capítulos – de 10 segundos cada, centrados em temas que vão de encontro aos preceitos e aos fundamentos do W Atlanta-DSC06625_2Downtown – o que tem chamado muito a atenção da crítica especializa. E conforme tem divulgado a “imprensa”, este filme, que não é como “os outros”, “terá cada episódio apresentado por duas semanas, e depois da exibição dos 13 capítulos, estes vídeos serão exibidos on-line, em forma de uma série completa, na internet”, o que será um presente de inestimável valor para todos os espectadores do planeta.

O enredo de “Pixel” centra-se na força da “paixão” e do “amor” (sinonímias, neste caso) que atravessam o tempo ao contar a história de um pai dedicado, que ao se saber à iminência da morte – essa a levá-lo para a eternidade quando sua pequena filha recém-nascida completar três meses –, começa a construir o que será sua “herança paterna”, o seu legado à menina.

Certamente, em se tratando de uma campanha para o W Atlanta-Downtown, esta “herança” – a ser descoberta pela filha somente quando estivesse adulta, e o pai morto há muito tempo – poderia ou deveria ser uma imensa fortuna em dólares, para que a moça se hospedasse para sempre no próprio W Atlanta-Downtown. Mas não: uma inspiração mexicana baixou em Felipe Barral, e a herança descoberta pela filha é exatamente o mesmo conjunto de vídeos curtíssimos, metonímica obra do pai que, segundo a “imprensa” afirma, “marca o início de uma jornada emocional para a jovem, de modo a lhe revelar o verdadeiro significado da vida”. E tudo isso em alguns vídeos de 10 segundos cada, nos quais “amor”, “ausência”, “morte” e “vida” são deflagrados “profundamente” – e para que perder tempo lendo os ensaios de Montaigne, quando se pode viver em Atlanta, e perto ou dentro ou fora do W Atlanta-Downtown?

Felipe Barral, o diretor de cinema e criador desse projeto, disse oficialmente em depoimento: “O objetivo desta experiência não é apenas entreter, mas principalmente inspirar as pessoas, pois Eu quero dar ao público a possibilidade de redescobrir a essência do afeto humano”. E para que perder mais tempo estudando a alma humana em tratados freudianos ou lacanianos, quando se pode assistir ao “Pixel”, de Barral?

Ainda em evidência no imenso outdoor (lembremos, instalado “ao lado” do W Atlanta-Downtown), veiculado por sinalização digital, o filme tem trailer e cenas do primeiro capítulo disponíveis na internet, para que possamos experimentar um pouco dessa obra na qual o mundo dos afetos é sacralizado e regido pela incontida e dogmática pulsão publicitária. Pois disse o Diretor: façamos os atores e as cenas à Minha imagem!

E assim criou-se o homem à sua dessemelhança. E o verdadeiro protagonista, um tanto constrangido, sai das telas e se revela além da liturgia filmográfica às avessas: o digital signage, claro, que em crônica, aqui publicada em 9 de dezembro, serviu para alegrar crianças, com telas bem menores, em algum lugar bem distante de Atlanta, bem distante do “Pixel” e do W Atlanta-Downtown; porém perto, muito perto e aninhado daquilo que realmente o filme pretendeu dizer, mas jamais conseguiria, e tampouco conseguirá expressar: o essencial sentido da vida, mesmo quando essa se emite por sinalização digital –; o dizível da existência, que abriga a todos, e especialmente a tecnologia quando desvelada no empenho dadivoso da real e imprescindível ventura nossa, e de cada dia.

E assistam ao trailer do filme!

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