Home Saúde É mesmo verdade que é mais saudável viver no campo?

É mesmo verdade que é mais saudável viver no campo?

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Geralmente pensamos nas grandes cidades como os lugares menos saudáveis para se viver; mas não é o que recentes estudos dizem; do topo da montanha a metrópoles, a BBC analisa como a localização afeta o bem-estar do indivíduo.

Seja pela preocupação com estresse ou poluição, você certamente já pensou que se mudar da cidade grande para o campo pode não apenas aumentar sua sensação de felicidade como melhorar sua saúde.

Mas os estudos que poderiam nos ajudar a identificar os ambientes mais saudáveis para se viver são surpreendentemente escassos. E à medida que cientistas começam a destrinchar a relação entre bem-estar e ambiente, eles têm notado várias nuances que contribuem com ou reduzem os potenciais benefícios oferecidos por determinados lugares – seja uma metrópole com milhões de habitantes ou uma praia deserta.

“Como um grupo de pesquisadores ao redor do mundo, o que tentamos fazer não é promover essas coisas de qualquer maneira, mas encontrar evidências pró e contra sobre como os ambientes naturais – e nosso crescente descolamento deles – pode afetar a saúde e o bem-estar”, diz Mathew White, psicólogo ambiental da Escola Médica da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

White e outros pesquisadores vêm mostrando que um número aparentemente incontável de fatores determina como somos influenciados pelo que está ao nosso redor. Isso inclui o histórico pessoal e as circunstâncias de vida, a qualidade e a duração da exposição ao ambiente e as atividades realizadas nele.

De modo geral, evidências sugerem que espaços verdes são bons para aqueles que vivem em áreas urbanas. Aqueles que vivem próximo a parques ou áreas arborizadas lidam com níveis mais baixos de poluição e barulho e tiram mais proveito de efeitos de resfriamento local (algo que se torna incrivelmente útil à medida que o planeta esquenta).

Espaços naturais são propícios para atividades físicas e sociais – ambas inclusive associadas a uma gama de benefícios para a saúde.

O tempo passado na natureza tem sido relacionado a índices físicos reduzidos de estresse. Quando estamos passeando ou apenas sentados sob árvores, nosso ritmo cardíaco e nossa pressão sanguínea tendem a cair. Também liberamos mais “células assassinas” naturais: linfócitos que vagam pelo corpo caçando células cancerosas e infectadas por vírus.

Espaços naturais são calmantes

Pesquisadores ainda estão tentando entender por que isso ocorre, embora tenham várias hipóteses. “Uma teoria predominante é que os espaços naturais agem como um calmante para os estímulos da cidade movimentada”, diz Amber Pearson, geógrafa da saúde da U

Mudar-se da cidade grande pode não apenas aumentar sua sensação de felicidade como melhorar sua saúde (Foto: Rodolfo Ribeiro/Prefeitura de Arraial do Cabo)

niversidade do Estado de Michigan, nos EUA. “De uma perspectiva evolutiva, também associamos as coisas naturais como recursos fundamentais para a sobrevivência, por isso as favorecemos.”

Isto não significa, necessariamente, que todos os habitantes da cidade grande deveriam se mudar para a zona rural.

Moradores de cidades tendem a sofrer níveis mais altos de asma, alergia e depressão. Mas também costumam ser menos obesos, têm menos riscos de cometer suicídio e são menos propensos a serem mortos em um acidente. Eles ainda têm vidas mais felizes como idosos e vivem mais de modo geral.

Embora tenhamos uma tendência a associar cidades com poluição, crime e estresse, viver em localidades rurais pode também ter seus custos. Insetos portadores de doenças e aracnídeos podem, por exemplo, diminuir o fator de saúde daquela cabana idílica do Maine, na costa americana.

Em outros casos, a poluição rural traz grandes riscos. Na Índia, a poluição do ar contribuiu para a morte de 1,1 milhão de pessoas em 2015 – e moradores do campo representam 75% das vítimas. Isso ocorre principalmente porque eles correm mais risco de respirar o ar poluído pela queima de áreas agrícolas, madeira ou estrume de vaca (usado como combustível para cozinhar e produzir calor).

Na Indonésia, o corte e a queimada praticados para limpar terrenos também provocam um nevoeiro tóxico que perdura por meses e às vezes afeta países vizinhos, como Cingapura, Malásia e Tailândia. Enquanto isto, sabe-se que a fumaça de incêndios na América do Sul e sul da África percorre todo o hemisfério sul (dito isso, o ar no hemisfério sul é geralmente mais limpo do que no norte – simplesmente porque há menos pessoas vivendo lá).

Isso não afeta apenas países em desenvolvimento. Também contribuem para a poluição do ar os incêndios em florestas no oeste dos Estados Unidos ou o uso intensivo de agrotóxicos em produções agrícolas de Europa, Rússia, China e Estados Unidos.

Fonte: G1

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