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Do descrédito à liderança: 6 fatos que explicam a invencibilidade do Brasil no Mundial de basquete

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Seleção começou preparação para o torneio na China sob desconfiança da Rio 2016 e razoável campanha nas Eliminatórias, mas cresceu em Nanquim e pode brigar por vaga em Tóquio

Os últimos três anos foram difíceis para o basquete masculino brasileiro. A geração genuinamente talentosa chegou na Olimpíada do Rio, em 2016, sob a expectativa de brigar até mesmo pelo pódio, mas caiu ainda na primeira fase, dentro de casa. Depois disso, a Confederação Brasileira de Basquete foi suspensa pela Fiba e teve que se desdobrar para voltar ao cenário. Normal então que o Brasil chegasse para a Copa do Mundo da China sob olhares desconfiados, muito também pela razoável Eliminatória feita, com derrotas para o Canadá dentro e fora de casa, além de revés para a Venezuela.

Na China, contudo, se fez a mágica. O jogo virou. E o Brasil, de desacreditado, terminou a primeira fase em Nanquim com 100% de aproveitamento, vencendo a perigosa Nova Zelândia na estreia, a poderosa Grécia de Giannis Antetokounmpo e por último a já eliminada Montenegro, do craque do Orlando Magic Nikola Vucevic. Pela segunda fase, no sábado a seleção brasileira enfrenta a República Tcheca, às 5h30. Na próxima segunda-feira, encara os Estados Unidos, às 9h30. O SporTV 2 transmite os jogos ao vivo.

O GloboEsporte.com enumerou 6 motivos que fizeram com que o Brasil conseguisse surpreender e passasse a preocupar os rivais.

1 – Muralha defensiva

Há muito tempo a seleção não defendia tão bem. Nas entrevistas, o técnico Aleksandar Petrovic gosta de dizer que todo brasileiro sabe meter bola. Ou seja, tem talento nas mãos. Mas que ao mesmo tempo, dificilmente se preocupava em jogar sem a bola. Nesta Copa do Mundo, o Brasil tem sido uma fortaleza defensiva. Rafa Luz, Alex Garcia e Bruno Caboclo têm formado um paredão, e foi assim que o time venceu a Grécia de Giannis Antetokounmpo.

2 – Jogo coletivo aparece

Outra reclamação de Petrovic no começo do trabalho e ao assistir aos jogos do NBB era a quantidade de arremessos precipitados. Bolas de três desnecessárias, sem a possibilidade de um aproveitamento maior. O treinador vetou o que ele chama de “Boom, boom, boom aleatório”. Somados os jogos contra Nova Zelândia, Grécia e Montenegro, o Brasil distribuiu 63 assistências – média de 21 por jogo. Ou seja, os jogadores têm se procurado em quadra, achando sempre a melhor chance de pontuar e diminuindo o número de erros: foram só 10 contra a poderosa Grécia.

3 – Novas peças funcionam

O grupo que joga a Copa do Mundo na China não é uma novidade para o brasileiro. Pelo contrário. Cinco estavam na Copa do Mundo da Espanha em 2014, quando o Brasil chegou às quartas de final. Mas, se perdeu Splitter, Raulzinho, Nenê, Giovannoni e Marcelinho Machado, a equipe ganhou peças que funcionam em Nanquim. Caboclo não pontuou tanto, mas defensivamente está muito bem. Rafa Luz, além de marcar, também foi importante no ataque e com assistências. Didi, quando entrou, manteve o pique da defesa e não se privou de atacar a cesta.

4 – Velha guarda nos seus melhores dias

Ninguém duvida do talento de Anderson Varejão, Leandrinho, Alex Garcia e Marquinhos. Os dois primeiros foram campeões da NBA e fizeram longa carreira na liga. Os dois últimos estão entre os melhores jogadores da história do país. Varejão, aos 36 anos, fez um dos melhores jogos da sua carreira pelo Brasil contra a Grécia, com 22 pontos e nove rebotes. Leandrinho, apesar de apagado nos dois primeiros quartos contra a Grécia, colocou a bola debaixo do braço nos minutos finais. Alex, talvez o melhor do Brasil até aqui, não só marca como um muro, mas também ataca. E Marquinhos, vindo do banco, tem sido um gatilho importante quando entra. Os quatro marcaram 63 dos 79 pontos do triunfo sobre os gregos.

5 – Petrovic e a confiança de volta

Aleksandar Petrovic tem dois anos de trabalho no Brasil. Chegou com a terra arrasada após a Rio 2016 e conseguiu reconstruir a cabeça dos brasileiros. Nas Eliminatórias, ainda encontrou dificuldades, principalmente por não poder contar com os jogadores vindos da NBA como Caboclo, Felício e Raulzinho (que, lesionado, não viajou para a China). Mas, na reta final da classificatória para a Copa do Mundo e principalmente nos amistosos de preparação e em Nanquim, o treinador mostrou que suas palavras encontraram eco no elenco. Há muito tempo não se via uma seleção brasileira tão confiante das suas possibilidades e ao mesmo tempo pé no chão para não se perder. Ponto para o croata.

6 – Sobrevivência em momentos delicados

A seleção brasileira também tem conseguido controlar momentos chaves e difíceis dos jogos. Foi assim na estreia, quando a Nova Zelândia passou boa parte na frente, até o terceiro quarto matador da seleção. Diante da Grécia, o Brasil chegou a estar atrás por 17 pontos, mas conseguiu também superar e buscar a diferença para vencer o time de Giannis Antetokounmpo. Já contra Montenegro, apesar de liderar em boa parte, o time viu uma frente de 15 pontos cair para apenas um, mas teve sangue frio para não se abalar e abrir de novo. Experiente, o grupo tem sabido lidar com situações extremas, o que é fundamental na Copa do Mundo

Com três vitórias até aqui, o Brasil volta à quadra neste sábado (5h30), já na cidade Shenzhen, para a estreia da segunda fase, diante da República Tcheca. O Grupo K ainda conta com Estados Unidos e Grécia. Na segunda-feira, a seleção encara os americanos (9h30). E, caso os americanos vençam os gregos no sábado e o Brasil triunfe sobre os tchecos, ambos já estarão classificados para as quartas de final do torneio. O SporTV 2 transmite os jogos ao vivo!

Globo Esporte

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