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Cuiabá faz ‘gambiarras’ para a Copa a menos de uma semana do 1° jogo

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A menos de uma semana de sediar sua primeira partida na Copa do Mundo, a capital mato-grossense tem para oferecer aos visitantes uma estrutura urbana baseada em obras entregues parcialmente e de utilização improvisada.

Sob comando do governo estadual, o pacote de projetos de mobilidade urbana prometido para preparar Cuiabá não foi concluído nem pela metade, reservando a mato-grossenses e turistas um cenário repleto de “gambiarras” ou trechos de obras “maquiadas”.

De acordo com o último balanço da Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa), apenas 39% das obras prometidas para o evento mundial devem ficar prontas até o dia da primeira partida em Cuiabá, entre Chile e Austrália, na Arena Pantanal.

Aeroporto

No caminho de quem chegar a Cuiabá por avião, o principal terminal aeroportuário de Mato Grosso é o primeiro exemplo de obra conclusa apenas parcialmente. Localizado em Várzea Grande (cidade da região metropolitana da capital), o aeroporto Marechal Rondon ainda passa por obras de ampliação, mas não deverá oferecer ao passageiro sequer uma área de alimentação e serviços mais ampla.

Também não deverão estar em operação parte do embarque internacional e duas das quatro pontes de embarque (fingers) previstas, segundo apontou relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em maio. À época, a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) preferiu não comentar o relatório.

No aeroporto Marechal Rondon, atraso de obras comprometeu até disponibilização de uma área de alimentação ampliada.

No aeroporto Marechal Rondon, atraso de obras comprometeu até disponibilização de uma área de alimentação ampliada.


Logo ao sair do aeroporto, o visitante poderá enxergar um viaduto, as bases de uma estação e o trecho inicial da mais cara obra prometida pelo governo estadual para a Copa do Mundo, o metrô de superfície Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o qual sequer entrará em operação antes de 2015 – conforme já admitiu o governo.

Ao custo de R$ 1,477 bilhão, a obra tinha prazo contratual de entrega para março deste ano, quando deveriam estar instalados e espalhados 22 quilômetros de trilhos pela região metropolitana, num novo sistema de transporte coletivo.

O visitante poderá conferir um esboço dessa promessa ao longo do caminho em algumas das principais artérias da malha urbana, como as avenidas João Ponce de Arruda e da FEB, em Várzea Grande, e as avenidas da Prainha, Historiador Rubens de Mendonça (do CPA), Fernando Corrêa da Costa e Coronel Escolástico, em Cuiabá.

Obras de ampliação da ponte sobre o Rio Cuiabá (parte do projeto do VLT) estarão paralisadas na Copa e, para dar fluxo ao tráfego, veículos voltarão a usar parte antiga da estrutura.

Obras de ampliação da ponte sobre o Rio Cuiabá (parte do projeto do VLT) estarão paralisadas na Copa e, para dar fluxo ao tráfego, veículos voltarão a usar parte antiga da estrutura.


No caminho até Cuiabá, o visitante vai perceber que a principal ponte de ligação das duas cidades estará com obras paradas. A ideia inicial era ampliar a capacidade da ponte para a passagem do VLT, mas os trabalhos se atrasaram e, agora, elas deverão permanecer paradas durante a Copa.

Durante esse período, a parte antiga da ponte deverá ser liberada para dar fluidez ao trânsito, assim como demais trechos de intervenções do VLT que, fora do prazo, terão os trabalhos interrompidos para liberar o tráfego. Já o TCE diz que nem o trecho prioritário do VLT – entre o aeroporto e o porto de Cuiabá – deve ficar pronto até o mundial.

Nas demais vias urbanas afetadas pelo VLT, o consórcio responsável pelas obras chegou a realizar escavações para instalações de trilhos ou abertura de trincheiras previstas no conjunto do projeto. Entretanto, como já se sabe que nada sairá do papel até a Copa, o consórcio responsável está plantando grama nos canteiros centrais destruídos para amenizar a paisagem.

Imagem aérea mostra andamento atrasado das obras do Centro Oficial de Treinamento da UFMT.

Imagem aérea mostra andamento atrasado das obras do Centro Oficial de Treinamento da UFMT.


Centros de treinamento inacabados

Se o público corre o risco de ter dificuldades no trânsito, as oito seleções com jogos marcados em Cuiabá já sabem que não terão centros oficiais de treinamento (COT) completos – apenas gramados, segundo apontou o TCE. Relatório do órgão mostrava que, até final de abril, os dois centros – COT da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o COT da Barra do Pari – tinham atingido respectivamente apenas 65% e 70% de conclusão. A Secopa não quis comentar o relatório.

Fan fest de última hora

Devido ao atraso na licitação, o Fifa Fan Fest – estrutura exigida pela federação internacional de futebol para a Copa – também precisou passar por adequações para que sua entrega fosse possível. Depois de duas tentativas de licitação malsucedidas, o governo resolveu reduzir a complexidade do projeto – que antes incluía intervenções para revitalizar a região da orla do rio Cuiabá.

Por fim, decidiu-se que o Fan Fest seria nada mais que um espaço para transmissão dos jogos em telões na antiga arena de rodeio do Parque de Exposições Jonas Pinheiro, com estrutura para shows e para os patrocinadores do mundial. A estrutura ainda está sendo montada pelo Sindicato Rural de Mato Grosso, que entrou em acordo com o governo para executar o trabalho após as tentativas de licitação.

Estacionamento incompleto

No intuito de atender à demanda da Arena Pantanal, o governo estadual teve de desistir do projeto de um estacionamento nas proximidades do estádio. Isso porque a área prevista para as obras era justamente o terminal atacadista de Cuiabá, de onde a Prefeitura não conseguiu retirar os feirantes.
Assim, patrocinadores, pessoas ligadas à Fifa e equipes de comunicação terão de estacionar seus veículos no espaço do Círculo Militar e numa pequena área de estacionamento construída logo no entorno do estádio e que, antes, seria destinada a torcedores VIP e de camarotes.

G1

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