Home Cidades Baronesa de Diamantino foi enterrada em Cemitério de muitas histórias curiosas

Baronesa de Diamantino foi enterrada em Cemitério de muitas histórias curiosas

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Coveiro diz que abriu um caixão e o corpo do morto ainda estava conservado após 18 anos. Mas a cabeça era de caveira.

Há seis anos trabalhando como coveiro no Cemitério da Piedade – localizado no Centro de Cuiabá – Sílvio Lourenço, 50 anos, conta que já viveu histórias curiosas e assustadoras no local fundado em 1818.

O trabalho dele começa às 7h da manhã e a prioridade são sempre os sepultamentos. Mas se não há nenhum previsto, Lourenço e mais dois colegas partem para a limpeza do local. Eles limpam os banheiros da administração, o corredor principal e aparam matos e retiram as flores secas dos túmulos. É nesse trabalho de rotina que surgem as histórias curiosas. Uma delas é a “cabeça de caveira com corpo humano”.

Aconteceu em 2014, quando Lourenço precisou retirar um caixão de uma das gavetas de um túmulo para acomodar um “novo morto”. Esse tipo de procedimento é comum durante um sepultamento, quando um caixão velho é retirado e a ossada é guardada em um saco azul que, depois, é colocado no túmulo ao lado do novo caixão.

Só que ao abrir o caixão, Lourenço se deparou com uma cena que ele classificou como “horripilante”: no lugar de ossos havia um corpo inteiro conservado e apenas a parte da cabeça havia se tornado uma caveira. O corpo já estava há 18 anos sepultado, o que intrigou os coveiros e os familiares do morto.

“O caixão estava cheio de água e no peito dele ainda havia cabelo. Na verdade, o corpo todo ainda estava conservado, com exceção do rosto que virou uma caveira por completo. Foi uma cena assustadora. Eu e meus colegas nunca tínhamos visto nada igual”, recorda.

O mistério “do homem com cabeça de caveira” só foi solucionado pelos agentes da funerária. Eles explicaram que a água era do próprio morto e ficou retida por causa do material do caixão, que foi construído a base de zinco. Dessa forma, a água ajudou a manter o corpo bem conservado ao logo de quase duas décadas.

Outra história que marcou Lourenço foi a de um menino de quatro anos que agarrou em uma das pernas de seu colega que sepultava seu avô. Na hora de colocar o caixão no túmulo, a criança grudou no coveiro e começou a chorar: “O menino gritava o chamando de homem mal e que ele não poderia enterrar o avô. Hoje eu lembro dessa história com humor, mas na hora fiquei com o coração apertado, pois também tenho filhos”.

O Dia de Finados, celebrado em 02 de novembro, também é uma data que rende boas histórias para Lourenço contar. É um dia de intenso trabalho para os coveiros. Só o Cemitério da Piedade recebe cerca de 20 mil pessoas ao longo do dia. Diante da multidão, algumas coisas acabam saindo do controle.

No ano passado, Lourenço recorda que virou até “bombeiro” para apagar o incêndio provocado pelas velas que são deixadas no Cruzeiro – uma grande cruz instalada no centro do cemitério. Ela é usada para as orações de pessoas que não possuem entes queridos sepultados no Piedade.

Lourenço explica que ao longo do Dia de Finados o local fica tomado de velas e o incêndio acaba sendo inevitável. O Cruzeiro é feito de madeira, o que agrava ainda mais a situação. “Ano passado foi um sufoco e muitas pessoas se assustaram, jogaram água no local. Só que as chamas aumentaram ainda mais, consegui apagar o fogo jogando areia. Apesar do susto e do corre-corre, ninguém se feriu”.

O cemitério da Piedade é um dos mais antigos de Cuiabá. No local estão sepultadas figuras históricas de Mato Grosso, como o Almirante Augusto Leverger, conhecido como Barão de Melgaço (1802-1880); o ex-governador Dante Martins de Oliveira (1952-2006), o historiador Rubens de Mendonça (1915-1983); e a Dona Bárbara Maria do Carmo de Cerqueira Brandão, a Baronesa de Diamantino (1846-1878).

O Piedade é gerido pela Empresa Cuiabana Administradora de Cemitérios. No local há mais de seis mil sepulturas.

Repórter MT

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