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Rede social une homens endinheirados e mulheres em relacionamento moderno

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Em mais um movimento adequado à contemporaneidade, de aproximação tecnológica entre os seres humanos — sem julgamentos de valor quanto a isso ser bom ou ruim –, surgiu há cerca de um ano a plataforma/mídia social/site de relacionamentos Universo Sugar para apresentar mulheres jovens em busca de um homem para bancá-las a estes dispostos a tal. Essa nova modalidade de relacionamento teve origem nos Estados Unidos e lá foi batizado de Sugar Relationship.

Nesse universo, as denominações são Daddies e Babies.

A nova ferramenta tem o objetivo declarado de aproximar mulheres (jovens, 80,5% das cadastradas na plataforma são moças entre 18 e 30 anos e declaram-se desempregadas) e homens economicamente estáveis (comumente mais velhos, 54% deles têm entre 31 e 45 anos, enquanto outros 34% têm acima de 45, disparado a maior faixa etária) para relacionamentos de troca e suporte financeiro que podem ou não tornarem-se afetivos e, claro, sexuais.

“A ideia surgiu por meio de uma visão empreendedora, pois percebemos que o comportamento social sofre constante mudança. Os relacionamentos estão cada vez mais dinâmicos, o Universo Sugar veio atender as necessidades das pessoas que buscam viver em função do que avaliam ser naturalmente correto, não politicamente correto”, explica a CEO do site Universo Sugar e estudante de arquitetura Luana Bezerra, 27 anos, do escritório da empresa em São Paulo, por telefone, ao .

Diferentemente de outras mídias sociais, como Facebook, Twitter ou mesmo Tinder, que, de certa forma, já proporcionam aproximação entre as pessoas para quaisquer objetivos que elas tiverem, o Universo tem duas categorias claras: Sugar Daddy (o homem a bancar) e Sugar Baby (a mulher jovem a ser bancada); além disso, o algoritmo do software faz um alinhamento entre os perfis desejados por ambas as partes e este vai bem além de requisitos físicos, pois tem de haver confluência de gostos, ideias e objetivos iniciais. Financeiros ou não.

Para essas mulheres (1.270 só aqui, 41 mil nos estados onde a plataforma já funciona, a saber, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Piauí, Alagoas, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso) a busca é por uma “relação com benefícios”.

Uma maneira de unir o útil – uma possibilidade de futuro melhor, uma faculdade, boas roupas, acesso a lugares mais caros e confortáveis – ao agradável, um relacionamento com termos definidos, conforme explica Chiara Smith (sim, o nome é fictício), 19 anos, moradora do bairro Santa Laura, em Cuiabá. Estudante do Ensino Médio e desempregada há mais de um ano, ela viu no site uma maneira de expandir suas probabilidades de um futuro melhor.

“Eu vi publicações de amigos no Facebook, comecei a pesquisar e gostei da ideia. Fiz meu cadastro há dois meses e ainda não tenho um Daddy”, conta ao . Ela diz não saber o motivo, mas procura “uma pessoa que seja simpática” e acredita que sim, pode também ter um envolvimento e até algum relacionamento mais à frente.

“Quando eu conheci, achei que era apenas envolvimento financeiro. Depois eu fiz mais pesquisas e vi que tem algo a mais. Eu não tenho medo disso não. Na verdade, sou uma pessoa bem aberta a novidades e a tentar ver as coisas de maneira mais ampla”. O suficiente para talvez se casar com um Daddy, Chiara? “Isso é bastante complicado (casamento), mas caso aconteça, não excluo a possibilidade”.

Sonhadora, 1,75m de altura, cabelos castanho-avermelhados, corpo torneado, branca, ela não esconde sua vontade de fazer uma faculdade de medicina e surpreendentemente não atribui o desemprego à busca pela ferramenta social. Perguntada se não tem medo de as pessoas a acusarem de se prostituir, ela responde com bastante calma que não, pois vê as duas coisas de maneira totalmente diferente, porque não está oferecendo um serviço, mas buscando um relacionamento. Admite, entretanto, que seus pais e o irmão não sabem da existência de seu perfil. “Mas acho que eles não condenariam, não. Se assustariam um pouco no começo sim, mas no final iriam aceitar”, acredita.

“Completamente diferente de prostituição”

O projeto de criação do Universo Sugar já ultrapassou um ano, mas o software em si foi lançado para acesso e cadastro dos usuários há oito meses, explica a CEO Luana Bezerra. Questionada sobre eventuais confusões no entendimento das pessoas quanto à natureza de seu negócio, ela responde com serenidade e firmeza.

“Não se trata de prostituição por vários motivos. Primeiro porque quem contrata paga e recebe um serviço e o relacionamento sugar, como o próprio conceito diz, é um relacionamento. O homem se envolve com uma mulher e desenvolve um sentimento afetivo por ela”, argumenta.

Lembra também que naquele universo o papel do homem na relação é o de ser provedor da necessidade da mulher. “Não classificamos que o sexo seja uma prerrogativa, mas é uma consequência, como em qualquer outro relacionamento. Isso depende do casal, das expectativas de cada um e do que foi acordado entre eles”. A reportagem insiste ao afirmar que também é sempre um acordo entre contratante e prostituta, de sexo mediante dinheiro.

“Também temos os termos de uso da plataforma que deixam bem claro que não é permitido o acesso nem o cadastro de garotas de programa. Além disso, temos ferramentas que conseguem detectar quaisquer palavras de transação que vierem a ser trocadas”. Logo, se o sistema detectar que numa determinada conversa houve uma sequência de palavras e frases proibidas, a detecção é imediata, e o perfil é suspenso no mesmo instante, garante Bezerra.

Crise econômica e desemprego como propulsores

Indiferentes às críticas, o número de mulheres inscritas tem crescido consideravelmente em várias regiões do Brasil. De acordo com informações do Universo Sugar, já são 41 mil usuários cadastrados. Dentre os estados com o maior número de mulheres inscritas estão São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

E a grande maioria dessas mulheres tem boa escolaridade. Nada menos que 30,05% delas são estudantes de curso superior, seguidas das matriculadas no Ensino Médio (27,20%). As bacherladas ou com licenciatura representam 13,54%, outras 10,83% delas têm cursos técnico-profissionalizantes. Há, ainda, 4,24% de pós-graduadas, 0,54% com mestrado (ou estudando) e 0,20% em doutoramento ou com título de doutoradas.

Fora do mercado de trabalho, a buscar a chamada relação com benefícios, Débora, Priscila e Fernanda buscam homens endinheirados e um relacionamento sugar. Sabem ser esse um estilo de vida criado pelos norte-americanos, mas vêm aumento da popularização no Brasil.

Portadora de uma licenciatura em matemática, a gaúcha Debora Artifon também tem 24 anos e está desempregada há seis meses. Dá aulas particulares para melhorar a renda e sobreviver, mas o dinheiro, obviamente, não é o suficiente. “Essa atividade sempre foi um meio de ganhar dinheiro extra e hoje é minha única renda. Estou à procura de um homem para me oferecer alguma ajuda financeira”. Com entusiasmo, revela que em menos de duas semanas cadastrada na rede, já conheceu um Sugar Daddy de São Paulo.

Com cadastro no site desde o início do ano, a modelo fotográfica Priscila Carvalho, 22 anos, mora na capital paulista. Questionada sobre o rótulo de interesseira, a jovem é bastante categórica: “Beleza eu não ponho à mesa não, eu ponho é o bem-estar, o conforto, uma vida bacana, poder viajar para onde você quer. Isso para mim que vale”.

De acordo com dados do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de mulheres (50,8%) na população desocupada foi superior ao de homens (49,2%) no segundo trimestre de 2017. A pesquisa aponta ainda que o desemprego atinge 13% da população ativa e 27,3% é justamente de jovens entre os 18 e os 24 anos.

Situada no limite dessa faixa, a goiana Fernanda Machado, 24 anos, decidiu estabelecer prioridades financeiras na hora de se envolver com um Sugar Daddy. Para ela, primeiro deve haver o pagamento dos estudos e depois o saldo das dívidas. “Eu sou uma pessoa transparente. Não sou de esconder a situação, só um restaurante bacana não vai colocar o que eu preciso dentro da minha casa”. Desempregada há três meses, a busca é mesmo por suporte financeiro na nova mídia social.

Pra afogar em números

Estado onde se localiza a maior cidade do país, São Paulo tem disparado o maior número de participantes: 7.374. Curiosamente, o segundo lugar cabe ao vizinho Estado de Goiás, com 6.624 homens e mulheres inscritos, depois vem Minas Gerais (4.874) Bahia (3.250) e Rio de Janeiro (3.042). Só então vem Mato Grosso (1.270), Paraná (1.141), Piauí (1.113), Alagoas (1.055), Rio Grande do Sul (828), Santa Catarina (704). Os demais estados somados tem outros 9.725 cadastrados.

Em Mato Grosso, o número de Sugar Babies é de longe maior que o de Sugar Daddies. São nada menos que 1.047 garotas inscritas (até o fechamento desta reportagem) para um total de 223 homens interessados em bancar (ou já bancando) alguma delas.

Para encerrar, a reportagem pergunta à CEO se ela não teme alguma espécie de perseguição nestes tempos de falsa moral exposta e obscurantismo de ideias, tão contemporâneos quanto os meios de aproximação humana citados no início deste texto. “Queremos na verdade gerar uma recepção e uma conscientização com relação a essas mudanças no modo de ser e se relacionar que os indivíduos vivem hoje”, afirma Bezerra.

Assim, os diferenciais para as outras plataformas e mídias sociais também têm a ver com a citada equipe de investidores “que busca constantemente trazer de fora do país ferramentas que trazem mais segurança e credibilidade”. Mais ou menos como o Facebook, esse desenvolvimento de tecnologias busca atender aos níveis de exigência cada vez mais altos dos usuários nos dias que correm.

Mário Okamura/RDNews

Universo Sugar Grafico

Gráfico, acima, mostra detalhes sobre a dinâmica dos novos relacionamentos baseados em mais uma nova mídia social, o Universo Sugar. Entenda os perfils

Fonte:RDnews

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